sábado, 31 de janeiro de 2026

[Resenha/crítica] Não Pisque (livro) - Divagando Sempre

 

Olá Divosos leitores. Hoje trago mais uma obra literária do mestre do horror, embora dessa vez, o horror seja o próprio ser humano. Mais uma saga da Achados e Perdidos com foco na Holly, uma personagem forte e divertida. 






A HISTÓRIA 

Holly continua trabalhando na Achados e Perdidos que agora está sob sua tutela. Ela também mantém a amizade com a policial Izzy Jaynes e costumam almoçar juntas para conversar. Mas Izzy vai precisar dos dons de detetive da amiga quando uma ameaça chega em forma de assassinato. Um condenado injustamente acaba morrendo na prisão mas antes uma confissão de que o condenado era inocente, repercute na mídia e agora uma pessoa decide fazer justiça com as próprias mãos. Se o condenado era inocente, agora o vingador matará um número X de inocentes e um culpado. Mas, ele não seguirá um padrão, suas vítimas são aleatórias e não há pistas sobre quem poderia ser. 

Holly se coça para investigar mais, porém o caso é de Izzy e nesse meio tempo, Holly acaba se envolvendo em um trabalho inesperado como guarda costas da ativista Kate McKay. Tudo começa quando sua assistente Corrie Anderson é atacada, confundida com Kate, onde o atacante joga o que parecia ácido no rosto de Corrie. Mas felizmente, sendo um aviso, não era ácido mas deixou Corrie assustada. A segunda tentativa foi uma carta suspeita contendo um pó misterioso, mas Holly só seria contratada depois de Kate exigir que seria melhor uma segurança mulher do que um homem. 

São casos completamente diferentes, mas ao final, todos acabam envolvidos na trama. 



Ano de publicação 2025

Páginas 448

Autor/a  Stephen King



Minhas divagações 

Stephen King sempre me impressiona. Nem imaginava que teria mais um livro dele tão recente. Infelizmente não lembrava da história da Achados e Perdidos, por isso, fiquei surpresa com o que havia acontecido com Bill e não lembrava de Barbara e Jerome. Por incrível que pareça me lembrava da Holly. 

A história tem foco em dois casos, que seria o da policial Izzy, que procura um assassino em série, disposto a fazer justiça por um caso onde o condenado foi morto na prisão e antes disso, o homem que o acusou do crime, confessa que o condenado era inocente. Entre os revoltosos, um homem decide fazer justiça com as próprias mãos. Ele manda um recado para a polícia, os alertando de que mataria 13 pessoas inocentes e um culpado. Porém, ele não seguia uma ordem, onde estivesse, se visse uma oportunidade, ele fazia uma vítima e deixava um nome nas mãos dos mortos. Até descobrirem quem eram os nomes, algumas pessoas inocentes já teriam morrido. Diante disso, Izzy, pede a ajuda de Holly, mas apenas para compartilhar ideias.

Holly por sua vez, por mais que quisesse participar mais das investigações, no fim, ela teve seu próprio trabalho para se preocupar. Acabou sendo guarda costas de uma ativista, que diga-se de passagem, achei insuportável. Ela pode ter tido todos os motivos possíveis para ser desse jeito, mas o modo como ela encarou as ameaças e tratou Corrie, não me foi muito agradável. Kate tinha suas fãs mas também tinha aqueles que a odiavam. Nessa parte, King sabe como nos fazer odiar os seres humanos. Se você não apoia alguém e seus ideias, para quê perder tempo e dinheiro, indo nas apresentações da Kate para fazer manifestos vaiando a mesma? Se eu não gosto ou não concordo, apenas ignoro. A parte da Kate era insuportável, embora a Holly salvasse tudo. 

E em paralelo a tudo isso, ainda tínhamos os irmãos Barbara e Jerome, que conheceram uma cantora famosa que faria um show na cidade e Barbara, por mais surreal que fosse, acaba tendo participação no grupo da cantora, cantando com a mesma e ainda tendo um poema dela transformado em canção. Quais as chances disso acontecer no mundo real? E mais, no fim, esses três casos acabam se encontrando. Foi revelação atrás de revelação, uma tensão e medo de quem sobreviveria, para no ato final, o assassino acabar tendo aquele final. 

E isso nem era tudo, em meio a tantos personagens, ainda tivemos a trajetória do assassino e a revelação de quem seria. Por mais que seu nome fosse citado, seus motivos vieram a tona somente no final. Achei na verdade meio contraditório. Querer justiça para o condenado que morreu sem ser culpado, compreensivo. Mas sair matando em nome dessa vingança, foi meio confuso. No fim, só parece que o assassino usou essa desculpa para fazer algo que sempre quis, mas só não tinha um motivo para isso ainda. E depois do primeiro, mesmo que fosse meio desajeitado, acabou pegando o jeito e gostando de fazer isso. Ele fez justiça pelo condenado inocente, mas saiu matando inocentes...

Agora, o perseguidor de Kate sim, teve uma história surreal. Nem desconfiava de quem seria. Acreditei mesmo que eram gêmeos tramando tudo. Ou não havia prestado atenção nos detalhes ou a revelação era para ser bombástica mesmo. Esse, eu achei perturbador mesmo. Tudo o que ele queria fazer sendo coagido pela religião, nada menos que terrível. Porém, fico imaginando que final teve o homem que criou essa ideia perversa na mente do perseguidor da Kate. Não lembro se ele foi pego. 

Dito isso, foi uma história interessante apesar de não ser o clássico terror de King. Porém, a saga da Achados e Perdidos foi sempre instigante, cheio de suspense e para mim, como a maioria de suas obras, foi espetacular. Mas, como li faz uns tempos, não consegui expressar meus sentimentos reais enquanto lia. Por mais que ame os livros de King, nem todas suas obras eu acho perfeito. Nessa história, embora no final, todos acabaram conectados, acho que a cantora ter entrado na parada foi além de muito aleatório para surreal. Não nego que foi interessante que no fim, o assassino e o perseguidor, que muitas vezes confundi achando que eram a mesma pessoa, se encontraram e tinham vítimas em comum. Na verdade, eu achei que o perseguidor da Kate fosse uma mulher e irmã do assassino, que os dois trabalhavam em casos de justiça diferentes, mas ajudavam um ao outro. Como a Kate é mulher e sofria ameaças por seu ativismo ser a favor por exemplo do aborto, e Corrie fosse atacada a primeira vez por alguém vestido de mulher, sim, porque Corrie achava que a pessoa estava de peruca, então fazia sentido me confundir com as histórias. Levei um tempo para entender que não tinham relação. Mas, acredito que teria sido mais interessante e complexo se tivesse seguido esse caminho. Já que eles lutavam pelo direito de viver, enquanto uma perseguia Kate o outro fazia justiça pelo condenado inocente. Mas nem sei se até mesmo King conseguiria elaborar um caso tão surreal desses. Talvez da forma como foi seja o melhor mesmo. Só acho que teve personagens demais e se não tivesse a parte da Sista Bessie ou algo assim, não faria muita diferença, pois de tudo, ela é a que menos lembro da história. Porém, se não me engano, no livro anterior teve um ataque no estádio onde Sista faria o show? O triste de ler muitos livros é que não consigo lembrar de todos... de qualquer forma, foi uma ótima leitura.


Nota pessoal 10/10

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