Olá Divas e Divos leitores. Hoje trago essa leitura que poderia ter sido melhor, mas faltou muita coisa. Terminei incrédula e decepcionada. Foi o maior vazio da minha vida literária.
A HISTÓRIA
Téo é um jovem estudante de medicina, que cuida de sua mãe paraplégica e quando não, está dissecando cadáveres nas aulas de anatomia. Um dia, por insistência de sua mãe, acaba indo em um churrasco com ela. Lá, ele conhece Clarice, uma jovem diferente de todas que já conheceu. Ela sonha em se tornar roteirista de cinema. Ela está escrevendo um roteiro chamado Dias Perfeitos e isso faz com que Téo mostre interesse em ler para poder manter contato com a menina. Porém, apesar de sua despedida ter deixado Téo convencido de que a jovem se interessou por ele, passa a perseguí-la. Passando dos limites, ele acaba a sequestrando e a levando para casa.
Embora sedada e com sua mãe em cima dele, Téo decide viajar com Clarice seguindo o roteiro dela e assim lhe dando mais inspirações para continuar escrevendo e também, quem sabe, com a convivência, ela vir a se apaixonar por ele também. Porém, sua mãe não para de ligar, a mãe de Clarice também e ainda tem um ex namorado que fica insistindo em falar com Clarice. O casal passa alguns dias em Teresópolis e Breno aparece atrás de Clarice. Como ela estava em um chalé onde a família sempre alugava, Breno descobriu o endereço com a mãe de Clarice e foi atrás dela. Téo não aceitou bem e uma tragédia acaba acontecendo. Para não ficar mais tempo ali, Téo decide seguir viagem com a desculpa de Clarice continuar a escrever e também para seguir com o roteiro, indo para lugares onde as personagens de Clarice também foram. Em alguns momentos Clarice parece estar gostando de Téo, mas então, com a guarda baixa, Clarice o ataca e agora o prisioneiro é ele.
Ano de publicação 2014
Páginas 280
Autor/a Raphael Montes
Minhas divagações
Eu gosto de dar chances a escritores brasileiros porque geralmente a escrita é fluída e ótima de se ler. O início, embora meio instigante, meio parado, dava para relevar pois é o início da história. Estamos construindo o cenário, os personagens, criando a tensão da trama. Porém, muitas atitudes deixaram a desejar. Clarice por exemplo, eu nunca entendi essa menina. Vem de família rica, parecia destemida e inteligente mas, achei meio ingênua quando Téo ligou para ela em um domingo de manhã para uma pesquisa e ela contou alguns detalhes de sua vida. Se, ela desconfiava que era ele, como deu a entender mais para frente, ela revelou onde estudava porque não sentiu perigo nele ou porque no fundo queria vê-lo atrás dela? Se, ela não tivesse respondido nada, ele teria tentado outros meios de encontrá-la?
Onde Téo estudava, ele tinha um cadáver de estudo que chamava de Gertrudes. Li um comentário de alguém dizendo que a história dela era parecida com a de Clarice, mas não entendi muito bem quem era Gertrudes. Pelo que ele mencionou, era uma sem teto que deu permissão para que seu corpo fosse estudado? Ou algo assim. Não era possível ser uma vítima de Téo porque não tinha como negar que era a primeira vez que ele fazia tal coisa com Clarice. Se tivesse outras experiências, teria se saído melhor. Mas já dava para notar que Téo era estranho com esse relacionamento com Gertrudes.
Eu, particularmente acho difícil de ver histórias desse tipo. Ainda que aqui foi mais tranquilo porque apesar das algemas e outros apetrechos, Téo não abusou direto de Clarice. Mas, geralmente essas histórias são terríveis por conta disso. Vendo pelo lado prático, Téo parece ser iniciante nessa vida, mas conseguiu fazer tudo por sorte ou suas habilidades contribuíram? O fato de Clarice já ter data marcada para viajar foi sorte ou ele apenas usou essa oportunidade a seu favor?
Clarice teve a melhor oportunidade de sua vida quando prendeu Téo, mas por causa de Breno ela colapsou? Não ficou claro o que ela sentia por ele. Na verdade, o que ela disse sobre Laura, acredito que seu interesse nela era maior do que em Breno. Se ela tivesse mantido Téo preso até a velha voltar, o que teria acontecido? Se ela tivesse matado Téo, como sairia dessa? Se ela não tivesse colapsado nada disso teria lhe acontecido no final. Mas aquele final não deixou de ser sinistro. Afinal, ela lembrava de algo? Ou foi só coincidência? E falando de final, não acredito que depois de tudo isso, termina assim. Minha conclusão seria então uma terrível crítica a justiça brasileira. O sumiço de Breno foi esquecido e apesar de tanta suspeita, Téo terminou daquele jeito. Estamos acostumados com histórias terríveis de sequestro e abusos, mas geralmente tem um final satisfatório. O suspeito pelo menos é preso ou morto. O final que tivemos aqui foi extremamente decepcionante. A não ser que o autor pense em criar uma continuação, caso contrário foi o pior livro que já li.
Clarice era uma personagem insuportável. Não sei o que Téo viu nela. Talvez por ela estar sempre sedada, não pudemos conhecer ela melhor. Pois quando começou a aceitar Téo, sempre achei que ela estava mentindo, apenas para quando tiver oportunidade, dar uma lição nele. Pode ser que por Téo não abusar dela, porque aqui, no caso, ele não era um assassino estuprador. Ele era um cara esquisito obcecado pela Clarice. Então, ele achava que convivendo juntos, ele cuidando dela, uma hora ela fosse se apaixonar por ele. Um ponto de vista meio doentio. Mas fiquei na dúvida se devido a solidão, medo e tals, ela começou mesmo a sentir algo por ele. Eu sentiria nojo, ódio e medo constante. Não dá para saber o que um tipo desses vai acabar fazendo com você. Quando o jogo virou, acreditei mesmo que essa história teria um final satisfatório. Eu preferiria um clichê do que esse final amargurante, decepcionante e que me fez odiar toda a leitura.
Não dava para sentir empatia por Clarice nem ódio de Téo, porque não consegui conhecer eles melhor, entender suas personalidades. Téo tinha problemas, isso era óbvio. Mas não sei, nenhum dos dois me pareceu pessoas boas que só saíram dos trilhos pela pressão da sociedade. Embora Clarice tenha falado sobre seu relacionamento conturbado com a mãe, ainda foi algo superficial. Assim como a vida de Téo. Por que ele ficou desse jeito? E Clarice, amava mesmo Breno? Ou só ficou com ele para enfrentar a mãe. Enfim, teve várias coisas que me incomodaram. Mas acredito que a falta da descrição dos personagens foi o que me impediu de visualizá-los melhor. Na minha imaginação, Téo era meio gordinho, usava óculos e era feio. Por isso, Clarice não se interessou por ele. Já Clarice, imaginava loira e magra. Se o autor descreveu os personagens, em algum momento eu apaguei da memoria. Mas minha impressão dos dois eram essas. No mais, faltou um pouco de tudo mesmo. Foi a leitura mais vazia que já li.
Nota pessoal 2/10










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