sexta-feira, 6 de março de 2026

[Resenha/crítica pessoal] Assassinatos e cookies de chocolate - Divagando Sempre

 

Olá Divosos leitores queridos. Hoje trago essa mistura de cookies e assassinatos, mas que acabaram não combinando para mim. 






A HISTÓRIA 

Após a morte do pai, Hannah volta a sua cidade natal Eden Lake em Minnesota para auxiliar a mãe e a irmã. Hannah é dona de uma cafeteria, Cookie Jar, onde sua especialidade são seus cookies caseiros. Lisa é sua ajudante na cafeteria e Hannah mora sozinha com seu gato Moishe. Ela não tem muito tempo sobrando mas sua mãe insiste em tentar lhe arrumar um namorado. Andrea, sua irmã mais nova, as vezes pede que ela cuide de sua filha enquanto trabalha e seu marido Bill é policial da cidade. A tranquilidade do local muda quando Ron, um entregador da leiteira Cozy Cow Dairy é encontrado morto, atrás da cafeteria de Hannah. Ela não teria se envolvido tanto se Bill não estivesse atrás de uma promoção no trabalho. Então, como uma civil cheia de contatos, ela vai tentar ajudar Bill a investigar quem seria o assassino.



Ano de publicação 2024

Páginas 416

Autor/a Joanne Fluke



Minhas divagações 

A história não foi tão interessante quanto imaginei que fosse. Os cookies em si descritos, talvez sejam a única coisa boa dessa história. Hannah, parecia ser uma personagem carismática e super inteligente. Mas achei seu interesse em solucionar o caso muito vazio. Ela conhecia o entregador? Sim. Foi atrás de sua loja? Sim. Mas, não tinha muito a ver com ela para que se intrometesse tanto a ser detetive. Eu havia pensado que ela investigaria por conta, por desconfiarem dela e pelos policiais não estarem fazendo seu trabalho. Coisa que não tinha nada a ver quando o policial em questão era seu cunhado. Hannah nunca foi considerada uma suspeita. Entre tantos suspeitos, pensei na ajudante da Hannah, em sua mãe e no Norman. Mas não havia o principal, o motivo. 

A ajudante da Hannah era suspeita, porque confesso que não havia prestado atenção nela no início. Mas ela tinha acesso ao local, poderia ter encontrado Ron e atirado nele. Depois chegar ao trabalho como se nada tivesse acontecido. Mas por que ela mataria Ron? A mãe da Hannah era só porque era insuportável mesmo. Queria arranjar encontros para a filha com qualquer homem da cidade. Cheguei a pensar que ela matou Ron achando que ele tinha interesse na filha e poderia atrapalhar outros pretendentes mas esse motivo era absurdo demais. Norman, achei que fosse pelo mesmo motivo, que estava interessado em Hannah mas via no Ron, um concorrente e o matou. Mas de novo, seria um motivo vazio. 

Não nego que as investigações de Hannah eram boas, porém, deixou Bill fazendo papel de idiota quando era ele quem deveria investigar, já que para ele seria mais fácil fazer as perguntas sem correr tanto risco quanto Hannah. Mais uma vez, não vi tanto motivo para ela arriscar sua vida investigando quem seria o assassino. Tudo para ela acontecia de modo tão fácil que fica difícil acreditar que uma simples civil que cozinha cookies, tenha um excelente faro de detetive. Nem nos momentos que deveriam ser tensos quando ela ficou cara a cara com o assassino, pareceu real de verdade. Ela fez o que todo detetive/policial faz que mais odeio, ir nos lugares perigosos sem avisar ninguém. E, muito conveniente ela conseguir dar conta do assassino e sem avisar o Bill, ele ir ao seu encontro. 

Fora que quando estamos aceitando e gostando de Norman, ela se interessa por outro e acaba tendo dois encontros com dois caras mas a história termina sem revelar se ela fica com algum deles. Tirando as receitas de cookies, tudo o mais acabou sendo sem graça. Eu gosto quando a protagonista investiga algo, mas gosto quando elas tem um motivo importante para fazer isso. Bill queria tanto a promoção mas deixou Hannah fazer a maior parte do trabalho. Acho que ela deveria mudar de profissão. Vi que tem mais livros dela e me pergunto se um dia lerei. Porque se o foco é assassinatos e cookies, Hannah vai continuar fazendo as mesmas coisas? Cozinhando e investigando assassinatos? No próximo ela vai escolher um pretendente? E muito clichê aparecer um policial novo e de cara se interessar pela Hannah. 

E no final teve um conto que comecei a ler mas como não tinha relação com o final da história, ou seja, não era continuação de nada, nem terminei de ler. O final foi meio agridoce. Descobriu-se o culpado e o motivo, mas foi tão sem graça, que toda a leitura foi uma perda de tempo. Hannah tem potencial para ser detetive, admito, mas se ela tivesse tido um motivo mais interessante para querer investigar, teria sido melhor. Ainda preferia a minha versão, onde desconfiavam dela como suspeita e para se livrar disso, ela investigava para limpar seu nome. Somente ajudar o Bill a desvendar o caso para ser promovido foi meio fraco. E ela que não estava interessada em romance, fica toda babona pelo policial novo? E só pela aparência? Muito desinteressante. Clichê demais. Eu acho que o Norman merecia uma chance. 

Não nego que os personagens até foram bem trabalhados, mas faltou mais motivação em tudo. Era tudo muito fácil para Hannah. Enfim, gostaria de poder dizer que amei a leitura, mas de novo, tirando os cookies, de resto foi medíocre demais. Muito insatisfatório. Pelo menos para mim. 


Nota pessoal 4/10

quinta-feira, 5 de março de 2026

[Review/crítica pessoal] Warcraft: o primeiro encontro de dois mundos - Divagando Sempre

 

Olá Divosos gamers. Hoje trago essa adaptação do jogo Warcraft que eu não conhecia mas achei o filme incrível. 






A HISTÓRIA 

O reino de Azeroth até então, vivia em paz, mas as coisas mudaram quando Orcs invadiram o local. Seu mundo está em extinção, então, Gul'Dan está procurando outros mundos para invadir e criar um novo lar. Gul'Dan usa a alma de prisioneiros para abrir um portal e assim chegam a Azeroth. Lothar investiga o local da invasão e mantém uma prisioneira, mestiça, meia-orc, chamada Garona, que acaba revelando os planos de Gul'Dan. O Rei tem plena confiança em Garona e planeja então um ataque para impedir que Gul'Dan abra o portal trazendo todos os Orcs de seu mundo para Azeroth. No entanto, Lothar desconfia de um traidor e junto de Hadggar, um jovem mago talentoso, tentam impedir que o portal seja aberto, enquanto uma sangrenta batalha acontece do lado dos Orcs. Entre eles, existe também a luta interna por traidores. 











Ano de lançamento 2016

Duração 2h 3m

Direção Duncan Jones

Elenco Travis Fimmel, Paula Patton, Ben Foster, Ben Schnetzer, Dominic Cooper, Toby Kebbell, Robert Kazinsky, Daniel Wu



Trailer 







Minhas divagações 

Esse mundo de fantasia, de guerreiros humanos contra orcs, são sempre fascinantes. Não conheço o jogo, só ouvi falar de nome, então, minha opinião é somente sobre o filme, não faço ideia se foi fiel ao jogo. No entanto, acredito que para os fãs, a compreensão dos personagens com certeza foi melhor. Não que seja difícil descobrir, mas parece meia informação, pois sabemos quem são mas não suas histórias completas. 

Confesso que achei algumas partes confusas, mas, ainda assim foi uma produção excelente. Primeiro nos é apresentado a história de Durotan, ele e sua companheira esperam o primeiro filho e assim, pelo menos eu, criei expectativas sobre os Orcs, pois achei que a história seria deles. No entanto, quando aparece Gul'Dan, com uma espécie de poder, como o mago dos Orcs, dava para supor que uma grande batalha estava por vir. 

Já do lado dos humanos, simpatizei na hora por Hadggar, era óbvio que mesmo sendo jovem, inexperiente e meio atrapalhado, seria importante e forte no final. O Guardião, por não saber sua história, ainda assim, desconfiei dele desde o início, embora não fosse de todo sua culpa. No final, ele ainda conseguiu salvar muitas pessoas. 

Garona foi uma personagem que por mais que fosse carismática, suas decisões eram meio questionáveis. Parecia selvagem quando foi prisioneira dos Orcs, pois, aos olhos deles, ela não era um deles. Durotan a libertou mas ela foi pega por Hadggar e Lothar e levada ao Rei. Do nada, ela fica civilizada e ainda tem a confiança do Rei. No entanto, acredito que sua escolha na batalha, foi ideal, embora devastador. O Rei sabia o que estava fazendo e por isso confiou essa missão para ela. Muitos do lado do Rei, podem questionar sua atitude, entendendo de outra forma, mas foi isso que impediu de a luta continuar. 

Enquanto isso, Hadggar e Lothar lutavam para impedir que o portal fosse aberto, embora Lothar chegasse tarde no campo de batalha, ele ainda teve uma luta épica contra um Orc, recebendo o respeito dos demais guerreiros. O final não foi um final definitivo, acredito que se tivesse feito mais sucesso, poderia ter tido uma continuação. Esse universo poderia ser ainda melhor explorado. Tantas coisas para trabalhar melhor, como a história dos magos, como Medivh se tornou um Guardião, as histórias de Hadggar e Lothar. Como Gul'Dan conseguiu seu poder. O que é e de onde veio esse poder. Talvez nos jogos tudo isso seja mais explicado, mas aqui, faltou um pouquinho mais de detalhes. 

As criticas sobre o filme são bem variadas. Aquelas que saíram no lançamento do filme são bem negativas. Mas, outras após alguns anos e outras adaptações de jogos fracassadas, todos concordam que em se tratando de efeitos especiais, Warcraft foi muito bem feito. Se tivesse um roteiro um pouquinho melhor, seria um filme perfeito. As lutas foram sensacionais. As diferenças entre guerreiros eram gritantes, mas cada um lutava pela sobrevivência. O campo de batalha lembra muito Senhor dos Anéis. Eu amei o personagem Lothar, só achei meio questionável a intenção romântica que plantaram entre Garona e Lothar. A história do filho de Lothar, embora curta, de início, não gostei do rapaz. Não gosto muito desses filhos que querem seguir os passos dos pais, mas se arriscam de forma mortal em nome de alguma coisa. Seja honra, glória ou apenas para impressionar o pai. Não importa o motivo, esses filhos sempre me irritam, principalmente porque, se não for um protagonista, sabemos que no final, pode morrer. Não achei que ele teve um crescimento na história, principalmente porque não teve muito tempo de tela. Acho que sua presença e o fim dela, foi mais para motivar Lothar no que ainda estava por vir. 

E claro, o desfecho para parar a guerra, foi devastador, mas do modo que terminou, isso ainda não acabou. Uma pena não terem explorado a sequência. Tantos filmes piores que tiveram um segundo ou até terceiro filmes. Esse com certeza merecia uma continuação. Hadggar será o novo Guardião? E o filho do Durotan, acho que era filha? Não lembro. Mas tem história aí também. E Garona? O que será dela? Se ela e Lothar ficassem juntos, aí sim poderiam unir os povos. Seria interessante ver essa luta. Mas enfim. Por mais que desejássemos uma continuação, até agora ninguém se pronunciou. Então, infelizmente é isso. Se eu soubesse que seria tão bom e iria ficar triste porque não tem mais, talvez nem teria visto. Mas, valeu a pena de qualquer forma. 


Nota pessoal 10/10

quarta-feira, 4 de março de 2026

[Resenha/crítica pessoal] Dias Perfeitos (livro) - Divagando Sempre

 

Olá Divas e Divos leitores. Hoje trago essa leitura que poderia ter sido melhor, mas faltou muita coisa. Terminei incrédula e decepcionada. Foi o maior vazio da minha vida literária. 






A HISTÓRIA 

Téo é um jovem estudante de medicina, que cuida de sua mãe paraplégica e quando não, está dissecando cadáveres nas aulas de anatomia. Um dia, por insistência de sua mãe, acaba indo em um churrasco com ela. Lá, ele conhece Clarice, uma jovem diferente de todas que já conheceu. Ela sonha em se tornar roteirista de cinema.  Ela está escrevendo um roteiro chamado Dias Perfeitos e isso faz com que Téo mostre interesse em ler para poder manter contato com a menina. Porém, apesar de sua despedida ter deixado Téo convencido de que a jovem se interessou por ele, passa a perseguí-la. Passando dos limites, ele acaba a sequestrando e a levando para casa. 

Embora sedada e com sua mãe em cima dele, Téo decide viajar com Clarice seguindo o roteiro dela e assim lhe dando mais inspirações para continuar escrevendo e também, quem sabe, com a convivência, ela vir a se apaixonar por ele também.  Porém, sua mãe não para de ligar, a mãe de Clarice também e ainda tem um ex namorado que fica insistindo em falar com Clarice. O casal passa alguns dias em Teresópolis e Breno aparece atrás de Clarice. Como ela estava em um chalé onde a família sempre alugava, Breno descobriu o endereço com a mãe de Clarice e foi atrás dela. Téo não aceitou bem e uma tragédia acaba acontecendo. Para não ficar mais tempo ali, Téo decide seguir viagem com a desculpa de Clarice continuar a escrever e também para seguir com o roteiro, indo para lugares onde as personagens de Clarice também foram. Em alguns momentos Clarice parece estar gostando de Téo, mas então, com a guarda baixa, Clarice o ataca e agora o prisioneiro é ele. 



Ano de publicação 2014

Páginas 280

Autor/a Raphael Montes



Minhas divagações 

Eu gosto de dar chances a escritores brasileiros porque geralmente a escrita é fluída e ótima de se ler. O início, embora meio instigante, meio parado, dava para relevar pois é o início da história. Estamos construindo o cenário, os personagens, criando a tensão da trama. Porém, muitas atitudes deixaram a desejar. Clarice por exemplo, eu nunca entendi essa menina. Vem de família rica, parecia destemida  e inteligente mas, achei meio ingênua quando Téo ligou para ela em um domingo de manhã para uma pesquisa e ela contou alguns detalhes de sua vida. Se, ela desconfiava que era ele, como deu a entender mais para frente, ela revelou onde estudava porque não sentiu perigo nele ou porque no fundo queria vê-lo atrás dela? Se, ela não tivesse respondido nada, ele teria tentado outros meios de encontrá-la? 

Onde Téo estudava, ele tinha um cadáver de estudo que chamava de Gertrudes. Li um comentário de alguém dizendo que a história dela era parecida com a de Clarice, mas não entendi muito bem quem era Gertrudes. Pelo que ele mencionou, era uma sem teto que deu permissão para que seu corpo fosse estudado? Ou algo assim. Não era possível ser uma vítima de Téo porque não tinha como negar que era a primeira vez que ele fazia tal coisa com Clarice. Se tivesse outras experiências, teria se saído melhor. Mas já dava para notar que Téo era estranho com esse relacionamento com Gertrudes.

Eu, particularmente acho difícil de ver histórias desse tipo. Ainda que aqui foi mais tranquilo porque apesar das algemas e outros apetrechos, Téo não abusou direto de Clarice. Mas, geralmente essas histórias são terríveis por conta disso. Vendo pelo lado prático, Téo parece ser iniciante nessa vida, mas conseguiu fazer tudo por sorte ou suas habilidades contribuíram? O fato de Clarice já ter data marcada para viajar foi sorte ou ele apenas usou essa oportunidade a seu favor? 

Clarice teve a melhor oportunidade de sua vida quando prendeu Téo, mas por causa de Breno ela colapsou? Não ficou claro o que ela sentia por ele. Na verdade, o que ela disse sobre Laura, acredito que seu interesse nela era maior do que em Breno. Se ela tivesse mantido Téo preso até a velha voltar, o que teria acontecido? Se ela tivesse matado Téo, como sairia dessa? Se ela não tivesse colapsado nada disso teria lhe acontecido no final. Mas aquele final não deixou de ser sinistro. Afinal, ela lembrava de algo? Ou foi só coincidência? E falando de final, não acredito que depois de tudo isso, termina assim. Minha conclusão seria então uma terrível crítica a justiça brasileira. O sumiço de Breno foi esquecido e apesar de tanta suspeita, Téo terminou daquele jeito. Estamos acostumados com histórias terríveis de sequestro e abusos, mas geralmente tem um final satisfatório. O suspeito pelo menos é preso ou morto. O final que tivemos aqui foi extremamente decepcionante. A não ser que o autor pense em criar uma continuação, caso contrário foi o pior livro que já li. 

Clarice era uma personagem insuportável. Não sei o que Téo viu nela. Talvez por ela estar sempre sedada, não pudemos conhecer ela melhor. Pois quando começou a aceitar Téo, sempre achei que ela estava mentindo, apenas para quando tiver oportunidade, dar uma lição nele. Pode ser que por Téo não abusar dela, porque aqui, no caso, ele não era um assassino estuprador. Ele era um cara esquisito obcecado pela Clarice. Então, ele achava que convivendo juntos, ele cuidando dela, uma hora ela fosse se apaixonar por ele. Um ponto de vista meio doentio. Mas fiquei na dúvida se devido a solidão, medo e tals, ela começou mesmo a sentir algo por ele. Eu sentiria nojo, ódio e medo constante. Não dá para saber o que um tipo desses vai acabar fazendo com você.  Quando o jogo virou, acreditei mesmo que essa história teria um final satisfatório. Eu preferiria um clichê do que esse final amargurante, decepcionante e que me fez odiar toda a leitura. 

Não dava para sentir empatia por Clarice nem ódio de Téo, porque não consegui conhecer eles melhor, entender suas personalidades. Téo tinha problemas, isso era óbvio. Mas não sei, nenhum dos dois me pareceu pessoas boas que só saíram dos trilhos pela pressão da sociedade. Embora Clarice tenha falado sobre seu relacionamento conturbado com a mãe, ainda foi algo superficial. Assim como a vida de Téo. Por que ele ficou desse jeito? E Clarice, amava mesmo Breno? Ou só ficou com ele para enfrentar a mãe. Enfim, teve várias coisas que me incomodaram. Mas acredito que a falta da descrição dos personagens foi o que me impediu de visualizá-los melhor. Na minha imaginação, Téo era meio gordinho, usava óculos e era feio. Por isso, Clarice não se interessou por ele. Já Clarice, imaginava loira e magra. Se o autor descreveu os personagens, em algum momento eu apaguei da memoria. Mas minha impressão dos dois eram essas. No mais, faltou um pouco de tudo mesmo. Foi a leitura mais vazia que já li. 


Nota pessoal 2/10

terça-feira, 3 de março de 2026

[Review/crítica pessoal] Battle Royale (Live Action/livro) - Divagando Sempre

 

Olá Divosos. Hoje trago essa história em duas versões, livro e filme. Embora tenham o mesmo, final, a experiência foi completamente diferente. 







A HISTÓRIA 

A República da Grande Ásia Oriental se originou após a revolta da população e a junção das Forças Armadas com a Força Policial. Todo ano, uma turma do 9⁰ ano de alguma escola escolhida aleatoriamente participam de um jogo de sobrevivência onde dos 42 alunos, apenas um deve sobreviver. São levados para uma ilha isolada, controlados por coleiras que explodem caso não cumpram as regras. Ganham um kit de sobrevivência e um por um deixam o local se espalhando pela ilha. Alguns tentam se aliar a amigos, mas a pressão sobe a cabeça e os colegas, não sabendo em quem podem confiar, acabam matando uns aos outros. 



Live Action

Ano de lançamento 2000

Duração 2h 2m

Direção Kinji Fukasako

Elenco Tatsuya Fujiwara, Aki Maeda, Taro Yamamoto, Takeshi Kitano










Trailer





Livro

Ano de publicação 1999

Páginas 666

Autor/a Koushun Takami



Minhas divagações 

Li o livro primeiro então estava ansiosa para ver como seria adaptado. Lembro vagamente da Live Action quando foi lançado, mas não lembro se cheguei a assistir. Após terminar o livro, confesso que quando chegou no último capítulo com apenas três dos estudantes, me perguntava como terminaria, embora soubesse desde o início quem sairia vivo. 

No filme já temos alterações quanto ao inicio da história. No livro descobrimos que os alunos do 9⁰ ano da turma B, estão indo para uma excursão quando Shuya percebe que um gás está saindo do ônibus e um dos estudantes, Shogo, tentava abrir a janela, mas todos acabaram adormecendo. No filme Shuya acorda no meio da viagem e acaba nocauteado. 

No livro temos como o responsável de vigiar e acompanhar essa jornada dos alunos, Sakamoto Kinpachi. No filme foi um professor, Kitano, que foi esfaqueado por Kuninobo e pede demissão. Passa um ano até que a turma de Shuya é escolhida para participar do Battle Royale e Kitano quem é o encarregado de observá-los.

Claro que um filme nunca chega aos pés de uma leitura. Enquanto lemos, imaginamos o cenário e ainda temos mais detalhes dos acontecimentos e até pensamentos dos personagens. Embora seja mais rápido ver um filme, as experiências são bem diferentes. Porém, apesar de mudanças que são inevitáveis, a obra quando mantém a essência do livro, segue positivamente bem. 

Noriko tem um ferimento na perna, o que dificulta sua caminhada durante toda a história. No filme seu ferimento é no braço. Depois disso parei de comparar porque por mínima que fosse a mudança, a história seguia seu curso satisfatoriamente bem. Até chegar no final. Quando foi elegido o vencedor, no livro Sakamoto o pega e o leva de barco para fora da ilha. Lá, ele conversa com o vencedor e diz que sabe que ele trapaceou. No filme, Kitano manda os soldados embora e espera sozinho na base pelo vencedor e fala que sabe da trapaça dele. As diferenças entre Sakamoto e Kitano eram gritantes. Sakamoto era o tipo soldado do exército implacável, enquanto Kitano parecia um professor medíocre pedófilo vingativo. Não vi sentido em fazerem ele ter preferidos como Noriko. Ficou extremamente esquisito. Já Sakamoto parecia querer que Kazuo fosse o vencedor. Tão louco quanto Sakamoto. 

Enfim, a jornada no livro me pareceu mais longa e sofrida. No filme, apesar das duas horas, até que passou rápido. Por mais que ame o ator Tatsuya Fujiwara, achei seu personagem no filme meio medíocre. No livro ele fez muito mais coisas, tanto estúpidas quanto heróicas. Imaginei Noriko completamente diferente e Shogo também. Na minha imaginação eles eram bem melhores. O resto dos personagens foram satisfatórios. Só acho que se tivessem seguido com o final do livro, teria sido bem mais impactante. Eu não acreditava que o vencedor poderia realmente ter feito aquilo. E a batalha no barco foi incrível. O final no filme foi meio agridoce. Mas, para uma adaptação de livro, foi satisfatório. 

Como é meio antigo, li algumas críticas que prefiro não comentar. Dada a época em que foi lançado, acredito que quem não gostou não entendeu a mensagem da história. Depois disso, tivemos muitas histórias nessa pegada, como Jogos vorazes, Maze Runner, Divergente. Se não entendeu a comparação, eu quis dizer sobre o fato de adolescentes terem que lutar pela sobrevivência como experimentos ou demonstração de poder dos responsáveis, para controlar a sociedade. Talvez Jogos vorazes seja o mais parecido de Battle Royale. 

É pesado? Um pouco. Enquanto lia, não via rostos, só imaginava o que poderia estar acontecendo, mas enquanto assistia, vendo a situação em que passavam, as mortes, aí sim, sentia a injustiça do jogo. Teve muitos que morreram de forma injusta, teve alguns que foram ingênuos, teve outros que tinham intenção de matar desde o início, mas mesmo tentando se colocar nessa situação, não consigo imaginar o que faria. Talvez, vendo a situação de modo frio e quisesse muito sobreviver, eu encarnaria o Kazuo. Mas se visse que não tinha chance nenhuma, talvez só morresse mesmo. Mas existe uma verdade nessa história, mesmo que você conviva com essas pessoas há anos, não se pode confiar totalmente quando se trata de sobreviver. No livro, Shuya parecia bem mais rebelde que no filme, mas, o filme acabou sendo tão bom quanto o livro. 


Nota pessoal 8/10

segunda-feira, 2 de março de 2026

[Review/crítica pessoal] Flashover (Terremoto magnitude 9.5) - Divagando Sempre

 

Olá Divas e Divos. Hoje trago esse filme chinês fenomenal. É tenso, emocionante de tirar o fôlego. 






A HISTÓRIA 

No sul da China, um terremoto de nível 9.5 abala a região causando destruição. Porém, no centro industrial de Guangchen, vazamentos de oleodutos provocam explosões constantes. Se o incêndio dominar o local, poderá destruir a cidade toda. Para evitar a devastação, bombeiros chegam ao local para retirar as vítimas, funcionários que trabalhavam no local e para extinguir o incêndio. Mas explosões ocasionais tem dificultado o trabalho dos bombeiros, alguns acidentes acabam ferindo uns, mas até chegar mais reforços, o trabalho de um grupo específico segue mesmo sendo difícil. 









Ano de lançamento 2023

Duração 1h 53m

Direção Oxide Chun Pang

Elenco Jiang Du, Qianyuan Wang, Liya Tong



Trailer 





Minhas divagações 

Tive sentimentos contraditórios durante e após terminar o filme. Mas independente disso, achei o filme espetacular. Já vi alguns doramas chineses e sempre achei a tecnologia que usam impecáveis. As produções de fantasia com histórias de época são sensacionais. Aqui, só o título poderia ter sido diferente, ou até mesmo usado o em inglês Flashover, pois o título Terremoto magnitude 9.5 dá a entender outro tipo de história. Pois foi o que eu achei. O terremoto mesmo acontece no início mas não fica claro qual sua magnitude. O que acontece é que os abalos causam um incêndio em um parque industrial repleto de produtos químicos altamente inflamáveis e tóxicos. A história gira em torno de equipes de bombeiros que entram em cena para resgatar sobreviventes e apagar o fogo. 

O início é um pouco lento, mostrando o que inicialmente o terremoto causou e os bombeiros em ação. Depois mostra a vida de alguns deles, como o capitão que é tão comprometido com seu trabalho que sua noiva deseja adiar o casamento. Ou como um deles, que entende de câmeras e está sempre registrando tudo ou observando o local com drones. Esse também é apaixonado por uma professora. E tem outro carismático que envolve sua equipe com assuntos familiares como o aniversário de 60 anos de seu pai. Quando foca em alguns personagens, podemos supor que ou são protagonistas ou vai acontecer algo com um deles. 

Os incêndios são tão intensos que passei praticamente metade do filme ansiosa esperando alguma outra grande explosão. Quando acontecia, já esperava o pior. Embora bem feito visualmente e ter tido momentos descontraídos entre os bombeiros, acho que faltou alguns desfechos. A escola que ficou destruída pela explosão, onde a noiva do capitão estava, tinha um aluno que dizia que seu pai era bombeiro. Aqui, dava para ter outra história. A noiva até ligou para o capitão, mas não é como se ele pudesse escolher o local onde poderia ir. Mas quando outros bombeiros chegaram para salvá-los, ela entendeu o sentimento do noivo pelo trabalho. 

Li um comentário dizendo que o filme era bom mas que havia faltado mais realismo, pois devido a destruição, não tinha corpos, não tinha pessoas feridas nas ruas. Depois do resgate na escola, o foco foi no parque industrial, então acho que por isso, já não tinha necessidade de mostrar a cidade. Embora seja bom, como qualquer filme que não seja estadunidense, não é muito falado. Por isso só estava na minha lista porque pelo título achei que fosse algo sobre tragédia de terremoto. 

Pela grandiosidade  do desastre, achei que íamos ter mais perdas. Embora dois bombeiros tenham morrido, suas histórias foram tão emocionantes que quando dei por mim, estava chorando horrores. Não tinha como não se emocionar. Algo que eu li e concordo é sobre os bombeiros. Filmes com eles são sempre emocionantes. Eles estão ali para salvar vidas. Independente do perigo. O treinamento físico também é bem puxado. O modo de salvamento fiquei entre chocada e encantada. Se for apenas ficção está na hora de implementar essas tecnologias nos resgates. Só acho que as vestimentas dificultam os movimentos mas tem que ser assim para protegê-los. 

A dosagem entre humor e drama foi perfeita. Só acho mesmo que além da escola, poderiam ter mostrado mais da cidade. Em uma emergência desse nível, o caos é esperado. Me parece que o filme foi inspirado em uma história real, não desse porte, mas de algo parecido e surgiu a história desse filme. Não sei se é verdade, li um comentário sobre isso mas nas minhas pesquisas não encontrei muita coisa. E não importa o país, cada decisão é tomada pelos de cima, como os governantes da nação em questão. Caso os bombeiros tomem alguma decisão contrária, mesmo a favor de civis, após tudo terminar, são claramente repreendidos ou suspensos. Aqui não foi o caso. Estou tentando ser vaga porque teve acontecimentos bem dramáticos e acho que vale a pena passar pela experiência de ver. Acho que focaram mais no trabalho dos bombeiros, mas ainda acho que se tivessem mostrado mais da cidade, mais dos bombeiros resgatando nas áreas habitadas, teria um impacto mais devastador. Entendo que o tempo era crucial pois se o fogo atingisse um local específico e explodisse, seria o fim da cidade, mas, apesar da correria, ficaria mais tenso com esse desafio, salvar os civis. A primeira explosão destruiu os arredores, a escola sofreu com o impacto, poderia ter mostrado outros locais também. Mas enfim. 

Uma pena só que o título dá entender uma coisa e ficamos esperando o tempo todo pelo terremoto. Mas fora isso, foi um filme espetacular. Recomendo. 


Nota pessoal 8/10

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

[Review/crítica pessoal] Um anjo em nossas vidas - Divagando Sempre

 

Olá Divosos amigos. Hoje trago esse filme emocionante com uma pessoinha maravilhosa. 






A HISTÓRIA 

Edgar é um prisioneiro que está doente e é transferido para um hospital com mais recursos. Ele precisa de um transplante de rim. Enquanto está no hospital é vigiado 24 horas e algemado a cama. Perdeu contato da família após ser preso. 

Lucy é uma menina de 5 anos que mora com os pais e passa a ver o avô que morreu poucos anos atrás. Ela começa a ficar doente e acaba internada. Antes de ir para o hospital, ela dizia sonhar com um homem triste e acaba encontrando Edgar e dizendo que ele é o homem triste dos seus sonhos. Obviamente seu pai vendo que Edgar é um presidiário, exige que Lucy não fale com ele. 

Com sua condição de saúde piorando, seus pais revezam para ficar com ela no hospital. Assim, todas as noites, enquanto um dos pais dormem, ela sai do quarto na companhia do avô e vai falar com Edgar. No caminho para seu quarto, conhece outros pacientes também. Lucy cheia de fé, garante a todos que encontra que Jesus os ama e tudo dará certo. 









Ano de lançamento 2020

Duração 1h 27m

Direção Rob Diamond

Elenco Scarlett Diamond, Vincent Vargas, Adam Hightower, Florencia Contreras Stevens, Shawn Stevens



Trailer 





Minhas divagações 

Esse é um dos filmes que vi no shorts do YouTube faz um tempinho e sempre procrastinei para vê-lo. Imaginava que seria emocionante mas a atriz que interpreta Lucy, Scarlett Diamond é tão fofinha, que nos faz chorar horrores no final. A sua personagem assim como a atriz, foram mega cativantes. A história por mais que seja marcante, é tipica de sessão da tarde, mas que nos emociona fortemente. 

A única pessoa que não gostei foi do pai da Lucy. Mesmo que ele não acreditasse que ela via o vô, acho que a forma como ele tratou isso foi meio rude para uma criança. Assim como sua proibição de falar com Edgar. Sem mais explicações, só porque ele não queria. Se fosse outro tipo de filme, a falta de diálogo poderia ter desencadeado o pior. Mas, como o enredo era simples, Lucy tinha só que obedecê-lo. Embora ela dissesse que não falaria e depois sairia do quarto para visitar Edgar. Outro personagem detestável foi um dos guardas que vigiava Edgar. Que ser insuportável. Como não foi falado qual o crime de Edgar, não dava para entender o motivo do policial desprezá-lo tanto. Acho que poderiam ter falado qual o crime dele para vermos se ele mereceu essa segunda chance. Dependendo do crime não acho que a pessoa mereça, mas aí é tópico para outro assunto. 

O fato do vô estar ali, poderia ser várias coisas, mas pelo semblante triste dele, óbvio que estava esperando pela Lucy. E já sabemos o desfecho quando Lucy pede para o pai prometer que doará seu rim para Edgar. Só acho triste que não aprofundaram nesse personagem. Como questionei antes, poderiam ter falado seu crime para entendermos melhor o tratamento que recebia do guarda e o motivo dele mesmo acreditar que ele não merece viver. Para a família dele ter se afastado não foi um roubo comum, muito menos para ter esse tratamento de vigilância constante. Só o fato de ser grande, tatuado e ter cara de mal não explica o suficiente ser um presidiário. O próprio pai da Lucy disse que tatuagens não revelam quem é bom ou mal. Ele mesmo tinha tatuagens, semblante carrancudo, só não era fortinho. 

O fato de Edgar ter perdido a família, a falta que ele sentia delas, só prova que seu crime foi algo do tipo em defesa, ou acidental. E o guarda não gostar dele deve ser só porque o cara era mau amado mesmo. Acho que o foco seria na Lucy. Quem não amaria essa criança? E o hospital é bem fácil de perder os pacientes, pois como estão doentes não é como se fossem fugir. Mas enganar o policial para entrar no quarto? Para quem odeia Edgar ele é bem desatento na sua vigilância. 

A história é bem cristã. Fala sobre fé e Jesus. A passagem da Bíblia que Edgar leu para Lucy foi até interessante. O filme é bonito até, típico dos milagres de Natal. Bem triste ficar doente nessa época, principalmente para crianças que amam a data. Mas pior é o que aconteceu a Lucy depois. Tudo foi bem clichê, como Lucy sempre encontrar o faxineiro quando saía do quarto ou o policial de guarda distraído com seu celular e de fones de ouvido. 

Algo que ficou meio contraditório foi o pai de Lucy ser religioso mas julgar a filha por dizer que vê o pai ou ser boa com Edgar. Vê-se que empatia não foi ele quem ensinou. É amargurado porque perdeu o pai? Não entendi seu jeito contra Edgar. Se bem que, não nego ser cuidadoso quando vemos um paciente algemado no hospital com vigilância 24 horas ser meio assustador. Não dá para saber quando o prisioneiro vai surtar e aproveitar o momento de caos para fazer algo. Mas, no caso de Edgar ele nem conseguia andar, então achei a atitude do pai meio sem noção ao não explicar melhor o motivo de não querer que Lucy falasse com o prisioneiro, já que ela era bem inteligente e compreensiva. Eu vi várias questões aqui que mereciam ser mais trabalhadas, não sei se foi o orçamento ou se o roteiro era simples assim mesmo, mas trabalhando mais nessas questões, talvez o filme aumentasse uns 30 minutos a mais e talvez seria bem mais satisfatório. Lucy carregou o filme nas costas. 

Para mim as cenas mais fortes foi ela se despedindo de todos, deixando seu caderno de desenhos para Edgar e o mais intrigante foi ela lhe dando as chaves das algemas. Não tinha entendido o motivo. Para ele fugir? Aí que não receberia transplante, não veria a família e fora que nem ia longe, já que mal conseguia andar. Depois entendi o motivo mas já estava chorando horrores. Apesar de acreditar que poderia ter sido melhor, não foi de todo ruim. Lembrou aqueles filmes dramáticos dos anos 90 de sessão da tarde. Então para mim funcionou muito bem. 


Nota pessoal 8/10

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

[Review/crítica pessoal] Sayen - Divagando Sempre

 

Holla Divosos. Hoje trago esse filme chileno muito interessante embora fraco. 






A HISTÓRIA 

Nas florestas da Araucania no sul do Chile, Sayen, uma jovem mapuche retorna para a casa de sua avó Ilwen, após alguns meses fora. Seu retorno foi em boa hora, pois dias depois, um jovem visita sua avó com a intenção de comprar suas terras. Porém Ilwen não dá uma resposta positiva. Intrigada com essa oferta, Sayen segue o rapaz e descobre que na verdade ele trabalha para uma corporação que vem destruindo locais em busca de minérios, que no caso da propriedade da avó, encontraram cobalto. Sayen foi pega espionando e ao fugir conta para a avó o que eles pretendem com suas terras. Antonio nervoso acaba atirando em Ilwen e para não deixar testemunhas, atira em Sayen também. Ele ordena que seus subordinados coloque os corpos dentro da casa e incendeiam o local. Porém, Sayen ainda está viva e consegue fugir do incêndio. Agora começa uma caçada onde ela busca vinganca pela vó e Antonio querendo eliminar a única testemunha do crime. 









Ano de lançamento 2023

Duração 1h 34m

Direção Alexandre Witt

Elenco Rallen Montenegro, Arón Piper, Enrique Arce, Loreto Aravena, Camilo Arancibia, Roberto Garcia Ruiz, Tereza Ramos



Trailer





Minhas divagações 

Não sabia o que esperar do filme, porém, embora Sayen fosse treinada como guerreira, creio que ela jamais imaginou que fosse usar suas habilidades para vingar a avó. Uma coisa é certa, não importa o país, o homem branco sempre se achará superior aos demais. O povo de Sayen foi culpado pela morte e incêndio na casa da avó dela, tudo porque o branco rico pode comprar e manipular as pessoas. Como o pai de Sayen foi preso acusado de terrorismo, acusaram a filha do mesmo. Já em um caminho sem volta, Sayen cega pela vingança, elimina os culpados pelo caminho. 

Mas infelizmente foi como seu amigo disse, acho que era o José, ela iria atrás dos grandes um por um? Mas também é como ela pontuou, não existe justiça para eles, uma vez que nem poderiam confiar na polícia. José sendo jornalista queria investigar esse caso e expor na mídia, mas Antonio estava obcecado por pegar Sayen. Nesse ponto, me pergunto se tudo era para acontecer dessa forma. Quando Sayen sobreviveu ao incêndio, pensei que ela iria até os outros e juntos iriam atrás dos responsáveis pela morte da avó. Quando ela explodiu o carro, ferida, achei que foi um erro ter feito isso, pois agora estava exposta e óbvio que seria perseguida. 

Quando seus amigos vê o que aconteceu, três deles saem em busca de Sayen. Infelizmente é uma perseguição injusta, onde mesmo que eles estejam armados, claramente não era a primeira vez que Antonio e sua equipe matava alguém. Antonio então, que escroto matar Ilwen daquela forma. Fora que ele parece um inútil e o mais fraco de todos e não acredito que foi o último a perseguir Sayen. 

Bykov era o típico capanga enorme que tirava Antonio das burradas que cometia. Mas, ele não foi páreo para Sayen. Miranda era a típica soldado mulher que precisava ser bruta para não ser julgada mal por portar uma arma. Ela tinha potencial, pena que estava do lado errado da jogada. Máximo foi interpretado por quem? Enrique Arce. Não tem mais jeito, depois de La Casa de papel, seus personagens sempre serão esses empresários egoístas desgraçados que só pensam neles mesmos. E Antonio, mesmo que seja explosivo e precipitado, sempre me pareceu um playboy que só fazia as coisas para impressionar o pai e acabava piorando a situação. Por sua vez, não me pareceu que Máximo estava triste pelo que aconteceu com o filho. Vi que o filme tem mais duas continuações. Será que, Máximo vai continuar atrás de Sayen? Será que, Sayen vai atrás de cada um da corporação? Porque mais do que nunca ela não tem para onde voltar e ela precisa ou expor o que eles fazem ou eliminar todos. Qual será a história dos próximos?  Vai ser continuação ou casos novos? 

Como o filme não é estadunidense, não vi muita gente falando sobre. Mas amo filmes latinos e espanhol é uma língua linda. Gosto de ver filmes de outras culturas, conhecer suas histórias e a América do Sul tem muito potencial para filmes. As paisagens de Sayen foram maravilhosas. A cultura indígena é sempre belíssima. Defendem a natureza, são unidos e sabem métodos de luta e sobrevivência incríveis. Mas, apesar de tudo, a história foi um pouco fraca. Eu disse fraca, não ruim. Talvez porque iriam ainda introduzir a história de Sayen, visto que tem sequência. Mas, eu ainda acho que teria sido mais chocante se, Sayen ao sobreviver ao incêndio, tivesse fugido em silêncio, procurado seu povo, se armado e procurado o acampamento de Antônio e se vingando deles. Como eles seriam em número maior, teria perseguição de um jeito ou de outro. Sayen poderia ter sido acompanhada pelos 3 amigos ou mais deles e no caminho os perdendo, terminando sozinha como foi o que aconteceu. Achei meio precipitado o que ela fez revelando estar viva. Se os pegasse já no acampamento deles, destruindo equipamentos e matando alguns, pareceria mais como vingança mesmo. A perseguição na floresta parecia mais pela sobrevivência só. E o modo como terminou indica que ela pretende ir atrás da corporação. Mas em um futuro próximo talvez eu veja a sequência. 

Dito isso, achei fraco porém interessante. Poderia ter acrescentado alguns minutos a mais para explicar o treinamento da Sayen com o pai. Explicar a importância das terras para eles. Mostrar mais como o treinamento foi importante para lidar com seus agressores. Teve isso sim, mas foi muito raso. Não teve o por que de nos conectar com Sayen. Quando Antônio visitou a avó, poderia ter deixado ele mais suspeito em suas intenções para Sayen segui-lo. Quando dei por mim, ela já estava bisbilhotando o acampamento. O que fez ela suspeitar deles? Poderia também ter mostrado mais dos mapuche. Seu amor pelas terras, seus costumes, o desenvolvimento familiar entre Sayen e a avó. Depois de tudo que passou, ela não fala com seu povo sobre suas intenções? Só vai embora? Por isso espero que a sequência tenha mais explicações. No entanto, achei um bom filme. 


Nota pessoal 7/10

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

[Resenha/crítica pessoal] O Sobrevivente quer morrer no final - Divagando Sempre

 

Olá Divosos leitores. Hoje trago essa continuação que convenhamos, enrolou, enrolou e não revelou nada. 






A HISTÓRIA 

Paz Dario tinha 9 anos quando matou o pai para salvar a mãe e mesmo sendo inocentado durante seu julgamento, foi considerado um assassino pela sociedade. Desde então, sofria bullying nas escolas, nunca mais conseguiu nenhum papel no cinema, seu sonho era ser ator e depois de tentativas de suicídio, era constantemente vigiado pela mãe e pelo padrasto.

Alano Rosa é herdeiro da Central da Morte, empresa que consegue prever mortes  e avisa as pessoas no seu último dia para que possam se despedir de seus entes queridos ou viver um último dia inesquecível. Alano também já tentou se matar. 

Certa noite, Paz, desanimado com sua vida, decide acabar com ela subindo no letreiro de Hollywood para se matar. Ele está armado. Porém, antes que consiga realizar seu desejo, Alano aparece e o salva. Embora sempre seja inundado pelo desejo de morrer, Paz faz um acordo com Alano e tenta encontrar motivos para continuar vivendo, embora nos momentos mais difíceis, as vezes se corte para aliviar a pressão. 

Embora espere a ligação da Central da Morte toda noite, Paz tenta viver um dia de cada vez. Embora seja herdeiro da Central da Morte Alano desativou seus serviços após uma tentativa de assassinato contra sua vida. Embora tão diferentes, Alano e Paz tentam superar suas dores. Mas, Alano tem um segredo que pode mudar tudo no final. 



Ano de publicação 2025

Páginas 624

Autor/a Adam Silvera



Minhas divagações 

Não esperava mais um volume dessa série mas quando descobri que tinha mais história, decidi conferir. Desnecessário dizer que a Central da Morte já está ficando desgastante. E pior que o livro termina com garantias de mais um, que espero seja o final. Não lembrava com detalhes dos outros, mas, esse com certeza foi uma leitura cansativa. Não pela escrita, que foi fluída e gostosa de se ler. Mas pelos personagens mesmo. Paz, foi um personagem cansativo e chato demais. Só no final, quando finalmente confrontou a mãe pelos cuidados exagerados e admitiu se automutilar, que me conectei com ele. Principalmente que o pior pelo jeito, ainda está por vir com o segredo de Alano. 

Porém, foram 600 páginas onde ninguém morre no final, o que quebra a história original onde um sempre morria no final. Ficamos aguardando as revelações de tantos segredos e no final, ainda tem mais um livro. Não dá para acreditar. As críticas foram bem diversas, mas alguns se sentiram estafados com essa história. Paz ficou muito chato porque seu transtorno era toda hora mencionado. O autor conseguiu transformar um jovem cheio de trauma e problemas em um ser insuportável. Entendo tudo o que passou, entendo as pessoas sempre criticar erroneamente quando a história não é delas, é fácil julgar os outros, não existe empatia nesse mundo egoísta, mas, Paz também foi um ingrato por tudo o que a mãe lhe fez por terem sobrevivido ao pai e ele retribuir se cortando ou tentando se matar. Ele dava muita importância ao que os outros pensavam dele. Culpa do transtorno? Pode ser. Mas quando você não descobre um motivo para continuar vivendo, não há ajuda psicológica nem remédios suficientes para te salvar. 

Alano começou interessante, forte, mas acabou se perdendo no caminho. A única coisa boa que continuou até o final, foi sua determinação de salvar Paz e mantê-lo vivo. Embora tenha muitas questões pesadas e que as vezes desconhecemos, infelizmente o autor trabalhou de uma forma que só deixou cansativo demais. Tantas vezes tentando revelar o segredo e no final, ainda tem mais. Eu acho que poderia ter simplificado mais. A história acabou virando cunho político, cheio de traição de amigos íntimos e de confiança. Muita coisa poderia ter sido resumida e chegado finalmente em uma conclusão. Agora vamos ter que esperar mais um livro, com não sei quantas páginas de tortura para ver o desfecho dessa história. Com certeza Paz vai ser mais insuportável ainda quando descobrir que pelo tudo que passou na vida miserável na verdade foi culpa de Alano, vai achar que é por isso que ele se aproximou e tentou mantê-lo vivo, vai achar que é por culpa e não por que o ama de verdade e por aí vai. Paz já é bem previsível. A única coisa que mantém lendo essa série, é descobrir o segredo da Central da Morte. 

Li um comentário falando que a história começou com Paz e Alano tentando se matar, depois os dois tentando viver, o segredo quase sendo revelado inúmeras vezes mas não revelando nada e terminando no início, onde os dois tentam se matar de novo. É uma leitura extremamente cansativa. O assunto é de extrema importância para quem sofre desses transtornos, mas o autor criou um personagem tão repetitivo e chato, que em vez de gatilho, dá é raiva desse menino. Os pais dos dois tem hora que parecem pais, sábios e maduros e outra, parecem irresponsáveis ou inacabados, sem sentido. Quando os pais do Alano vai até a casa de Paz, Joaquim daquele jeito não arma barraco? Não fala sobre Paz? Deu a entender que teria intrigas e discussões e termina bem para todos? Muitas escolhas e situações iniciadas de uma forma e termina totalmente diferente. Eu só esperava que um deles morresse logo. Não é esse o propósito de um deles morrer no final? Tantos personagens amados nos anteriores que morreram, porque só esse foi diferente? Alano poderia revelar seu segredo a Paz e um dos dois ou os dois, recebessem a ligação da Central da Morte. Eu sei que Alano desativou a assinatura dele, mas no final vão descobrir o que houve, não me esqueci desse detalhe. Foi uma informação que descobriram no final e o que desencadeou Alano a querer morrer. 

Enfim, foi uma leitura complicada e quando vi que estava acabando as páginas mas a história caminhava sem solução, entrei em desespero. Se soubesse que teria mais um e que esse fosse tão maçante, nem teria lido.


Nota pessoal 2/10


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

[Review/crítica pessoal] The Assignment (Vingança) - Divagando Sempre

 

Olá Divas e Divos. Eu gosto de ver coisas diferentes, mas as vezes...









A HISTÓRIA 

Rachel Jane é uma cirurgiã plástica que está sendo avaliada pelo Dr. Ralph Galen, onde está internada após perder sua licença médica por prática ilegal e experimentos cirúrgicos que realizou em pessoas pobres e sem teto. Três anos antes, seu irmão  Sebastian foi assassinado pelo profissional Frank Kitchen e ao descobrir sua identidade, a Dra. Jane contrata Honest John Baconian para trair Frank. Buscando vingança mas também vendo uma oportunidade de avaliar a importância da identidade física, ela faz uma cirurgia de redesignação de sexo em Frank.

Ao acordar e descobrir sua nova condição, Frank entra em contato com Johnnie, uma mulher que havia conhecido dias antes e pede para ficar em sua casa enquanto se recupera. Por usar um nome falso, a polícia não encontra nada que comprove a existência de Frank e Jane então faz uma confissão judicial contando tudo o que fez com Frank. Este, por sua vez, havia seguido todos os envolvidos até chegar em Honest John e descobrir a médica que fez isso com ele. Após descobrir que sua situação era irreversível, decide se vingar da médica. 







Ano de lançamento 2016

Duração 1h 36m

Direção Walter Hill

Elenco Michelle Rodríguez, Sigourney Weaver, Tony Shalhoub



Trailer 





Minhas divagações 

O que me impressiona nesse filme? Os erros desde o início e as atrizes Michelle Rodríguez e Sigourney Weaver estarem nele. Confesso que achei a premissa interessante, quando li a Sinopse sobre um assassino de aluguel que passou por uma cirurgia que o transformou em mulher e agora ele queria vingança contra a médica. Até aí tudo bem. Mas, antes mesmo de ver o personagem em questão, começamos com a médica, interpretada pela Sigourney sendo entrevistada sobre os horrores que fez em nome da ciência. Então, finalmente nos mostra o assassino em questão, Frank. Aqui já começa o maior erro grotesco. Se, tivessem colocado um ator masculino para interpretar Frank no início, na minha opinião, teria sido melhor. 

Depois da cirurgia, quando Frank acorda, faltou mais realismo como seu rosto ficar inchado e com hematomas da cirurgia e seu corpo também. Ele tirou as ataduras e seu rosto/corpo estavam perfeitamente bem. Qual o sentido das ataduras então? Aí já tive vontade de desistir, mas já vi filmes piores até o fim e então decidi continuar. E tem como piorar. 

A história mistura o depoimento da Dra. Jane, pois tentam descobrir se o tal do Frank é real. Como sua clínica era clandestina, não tinha nenhum dado dos pacientes e como Frank não era o nome real do Frank, a polícia não encontra nenhum sinal de sua existência. O Dr. Galen menciona as mortes na clínica, mas até então eu achava que era os experimentos de Jane que não deram certo. Depois tudo faz sentido que só pegaram a Jane porque Frank a encontrou, matou seus comparsas e ligou para a polícia avisando sobre Jane. Ela conta sua história depois do que aconteceu a Frank enquanto isso, o que nos mostra sobre ele, seria antes de ser presa no manicômio. 

Uma coisa alguém estava certo sobre Frank, acho que foi o Honest John quem disse para ele, que parece ser muito esperto mas caiu nas mentiras de Johnnie. Quando se conheceram, até aí achei normal. Mas quando Frank virou mulher, a reação de Johnnie foi meio suspeita. Qualquer outra pessoa teria feito perguntas ou teria ficado impressionada ou teria qualquer reação que não fosse a da Johnnie. No trailer achei que ela também havia passado por algo semelhante, pensei que ela era John e agora virou Johnnie e junto de Frank iria atrás da médica. Sua reviravolta embora fosse clichê e óbvia, foi muito sem graça, minha teoria teria sido melhor. 

O motivo da médica ter feito isso em vez de matar logo Frank foi uma vingança muito melhor. Se matasse acabaria ali, mas forçando ele a viver em um corpo de mulher, era a vingança perfeita. A única coisa que me incomodou foi como tudo isso foi trabalhado. De novo, como ela também é uma cirurgiã plástica, faria sentido ter mexido no rosto de Frank. Se tivessem usado um ator diferente, teria dado mais realismo a cena, ali, só pareceu que tirou a barba e colocou as bandagens só para ter um efeito dramático. Por mais que Michelle tenha esse jeito másculo, como homem foi horrível. E mostrar ela nua com as partes masculinas? Desnecessário. Se fosse um homem, só pela constituição corporal dava para saber. Pelo menos aqui, achei que isso não combinou, diferente de Predestinado onde Jane vira John e a Sarah Snook arrasou na interpretação. Ali valeu a pena usar a mesma atriz. Como aqui além da mudança de sexo houve a cirurgia plástica, acho que valeria a pena ter um ator homem nas cenas de homem. Quando Frank tira a bandagem, a única coisa chocante é que tirou a barba. 

A parte que achei interessante foi Frank estar narrando os acontecimentos como investigações de detetives dos anos 50, só faltou ser em preto e branco. Tinha um ar meio melancólico também. Mas fora isso, de resto foi trabalho perdido. Duas atrizes boas, desperdiçando talento nesse filme. Tinha potencial sim de ser bom. Mas faltou trabalhar melhor nesse roteiro. A Dra. Jane havia dito que além de assassino Frank era machista. Poderiam ter trabalhado mais nisso, assim, quando ele fosse mulher, passasse pelas dificuldades que ele impunha nas mulheres. Seu instinto assassino não iria mudar só porque trocou de sexo. Seria como Jane querer dizer que as mulheres não matam? Ela é uma prova de como a mulher pode ser horrível com instrumentos certos nas mãos. Ela achou que transformando Frank em mulher ele pararia de matar? Ela achou que ele iria fazer o que? Eu aceitaria algo mais simples como se fosse só pela vingança mas ainda ficaria desproporcional. Já que é para fazer algum sentido, se, Frank tivesse arruinado a vida de uma irmã ao invés de irmão, aí sim, teria um motivo para transformar Frank em mulher. Aí sim teria gostado mais da história. 

Sigourney conheço mais pelo filme Alien, posso até ter visto outros trabalhos dela fora Alien mas não me lembraria. Assim como Michelle em Velozes e Furiosos. Acho que o que me chamou atenção nesse filme, foi ter as duas atrizes. No mais, foi uma trama interessante com grande potencial, mas com enredo mal trabalhado. 


Nota pessoal 5/10

sábado, 21 de fevereiro de 2026

[Resenha/crítica pessoal] A Última Lista de Mabel Beaumont - Divagando Sempre

 

Olá Divosos leitores. Hoje trago essa leitura maravilhosa sobre o luto de uma idosa e uma missão que ela acha que seu marido deixou para ela. Misterioso? Um pouco. Mas o melhor de tudo, é a jornada dessa senhorinha sensacional. 






A HISTÓRIA 

Mabel sempre foi uma pessoa fechada e vivia apenas na companhia de seu marido Arthur. Porém, após sua morte, para não deixá-la sozinha pelo menos nos três primeiros meses, ele havia contratado uma empresa para que uma cuidadora pudesse dar uma olhada em Mabel, por pelo menos duas horas por dia. Inicialmente Mabel estranha a presença  da cuidadora, mas aos poucos Mabel cria vínculos com outras mulheres. 

Tudo começou com a cuidadora que levou Mabel para uma aula de dança e conhece Patrícia. Também conhece uma jovem recém mãe que passeia pela vizinhança com sua filha no carrinho. Além delas Mabel ainda conhece uma adolescente que trabalha no mercado onde ela costuma fazer compras as vezes. Cada uma dessas mulheres oferece oportunidades de um novo mundo para Mabel, que sempre evitou outras companhias e viver intensamente. Agora que Arthur se foi, além de se ocupar com essas novas amigas, ela ainda acredita que seu marido lhe deixou uma última lista de sua vida: procurar p/D. Mabel acreditava que era para ela procurar por Dot, uma amiga de infância que foi embora após a morte de seu irmão e nunca mais teve contato com ela. Após mais de 60 anos, Mabel decide então procurar por Dot e suas novas amigas passam a ajudá-la.



Ano de publicação 2025

Páginas 288

Autor/a Laura Pearson



Minhas divagações 

Inicialmente vemos a rotina de Mabel e Arthur juntos, até que ele vem a falecer. Sozinha pela primeira vez em décadas, ela tenta fazer uma lista para fazer as coisas certas enquanto resolve o velório e enterro do marido. Enquanto olhava suas coisas, encontra um papel escrito: procurar p/D. Ela acha que foi a última coisa que ele deixou para ela, porém, é um enigma, ele deixou sabendo que ia morrer? Ele deixou como um meio de não ficar parada e sozinha? Ela não sabe. 

Após sua morte, uma mulher vem até sua casa dizendo que seu marido havia contratado seus serviços como cuidadora para ficar com Mabel algumas horas por dia. De início, Mabel acha que não precisa disso, mas acaba gostando dessa mulher. Julie recentemente foi deixada pelo marido e está solitária. Mabel entende então que ela gostaria de voltar com o marido. E tenta fazer com que isso aconteça. 

Eles tinham um cachorro, Ollie, mas que aparentemente gostava apenas de Arthur e agora que só restam os dois, ela tenta levá-lo para passear e assim acaba conhecendo Kristy, uma jovem mãe que sai para passear com sua filha bebê. Ela instantaneamente amou Ollie e este parece ter gostado dela também. Então, Mabel pergunta se ela poderia levá-lo para passear quando fosse sair com a filha. Assim, acaba conhecendo Julie e fazendo amizade também. Mabel descobre que a jovem não fala mais com a família e acreditando que é isso que a deixa triste, cria um plano para reuní-los.

Julie costuma fazer algumas aulas de dança e convida Mabel para ir junto. Assim ela conhece Patrícia. Recentemente sua filha saiu de casa com suas duas netas para morar com o namorado. Acaba frequentando a casa e o círculo de amizades de Mabel. E por último e não menos importante, temos Erin, uma adolescente que trabalha no mercado onde no primeiro dia de luto de Mabel, a pegou roubando na loja. Um impulso inexplicável mas que a fez conhecer a jovem, que não a entregou ao gerente do mercado. 

Todas essas mulheres se sentiam tristes por algum motivo e Mabel tentou ajudá-las, onde de início pareceu que cometeu um erro por se intrometer em suas vidas, mas no final, deu a elas oportunidade de verem o que estava acontecendo e tentar consertar ou não a situação. Fora que essas mulheres lhe ajudaram na busca por Dot. Conforme a leitura avança, vamos descobrindo o por que de Dot ter ido embora de repente. Sempre achei que era porque secretamente ela gostava do Arthur. 

A história parecia simples mas conforme as mulheres vão aparecendo, a vida de Mabel vai mudando. Ela não gostava de socializar e depois que Dot foi embora, ela aceitou casar com Arthur mas não quis ter filhos e viveu uma vida simples ao seu lado. O mistério do desaparecimento de Dot era muito intrigante, mas conforme Mabel vai contando aos poucos o que aconteceu pouco antes dela ir embora, começamos a entender melhor a Mabel e como ela viveu todos esses anos. E embora Arthur claramente a amasse, desde o início Mabel deixa claro que não sente o mesmo que Arthur sente por ela, embora o amasse mas não da mesma forma. 

Procurar Dot foi ao mesmo tempo uma aventura e uma missão que acabou unindo essas mulheres e preenchendo o vazio da solidão até elas mesmas encontrarem algo para preenchê-lo. Assim como Mabel. Sua vida restante após a morte do marido, poderia ter sido solitária se ela não tivesse encontrado o papel dele. Mas o que significava na verdade chega a ser hilário. Imaginei que seria algo do tipo ou pela sinopse, pensei que ele teria deixado uma lista de coisas para ela fazer para se manter ocupada. Mas ao final, o bilhete foi proposital ou ao acaso? 

Não nego que ao mesmo tempo eu sabia que não seria algo grandioso mas ao mesmo tempo gostaria que fosse. Apesar de Mabel ter vivido aventuras, eu foquei no título do livro e achei mesmo que ele teria uma lista de coisas a fazer que Arthur deixou para ela. Embora não deixou de ter uma lista, onde ela mesma fez uma e acabou fazendo tudo dela. Mas no fim, foi uma leitura maravilhosa. A gente sempre vê histórias de jovens sofrendo o luto e tals, gostei que a aventura tenha sido na fase da velhice. Embora Mabel diga que teve bons momentos com Arthur e com certeza, devido a atitude final dele, ele a amava verdadeiramente, então acredito que nunca se arrependeu de ter casado com ela, sabendo ou não de seu segredo. Mas não deixa de ser um ponto a se refletir. Até onde podemos ir por amor a alguém? Até onde podemos esperar por alguém? Ao mesmo tempo foi divertido mas também me deixou meio triste. Mas é uma leitura que vale a pena. 


Nota pessoal 10/10

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