A HISTÓRIA
Um carteiro que vive sozinho com seu gato chamado Kyabetsu, recebe um diagnóstico de tumor cerebral e que provavelmente terá uma semana ou menos de vida. Ao chegar em casa devastado, ele se depara com uma cópia dele mesmo que afirma ser o Diabo. Ele propõe ao carteiro se quiser viver mais um dia, apagar alguma coisa do mundo. Mas obviamente que não seria algo aleatório, o Diabo propõe apagar primeiro os celulares. Então começa a jornada do nosso protagonista.
Com os celulares a serem apagados, o carteiro liga para uma ex namorada e se reencontram após um tempo. Ele lhe pergunta o que faria se os celulares não existissem. E assim, ele relembra seu relacionamento com ela que começou com uma ligação por engano. Porém, após apagar os celulares do mundo, as lembranças que vinham com ele também são apagadas, sendo assim, quando ele vai até sua ex novamente, ela não o reconhece pois não tem memórias dele. Assim, ele começa a entender a gravidade da proposta do Diabo. Porém ele não tem vontade de morrer ainda, e aceita quando os filmes e os relógios são apagados do mundo. Mas quando chega a vez dos gatos, ele finalmente entende que em seu ato egoísta por viver mais um dia, ele acaba perdendo o que viveu até ali.
Filme
Ano de lançamento 2016
Duração 1h 43m
Direção Akira Nagai
Elenco Takeru Sato
Livro
Ano de publicação 2024
Páginas 176
Autor/a Genki Kawamura
Obs: encontrei inconsistências entre a publicação do livro e o lançamento do filme, pois vários sites de vendas ou resenhas de livros o ano de publicação é depois do filme, mas muitas resenhas também dizem que o filme é adaptação do livro. Então, fica aí esse erro ou mistério.
Trailer
Minhas divagações
Obviamente que assisti por ser uma obra que não conhecia e que Takeru Sato participa. E pode ter certeza que todo filme com ele vai ser espetacular. Esse em questão, não se deixem enganar pelo título. Achei que fosse algo surreal sobre desapareicmento de gatos, mas acabou sendo algo bem mais profundo que isso.
O filme é uma adaptação de livro e o personagem conta como recebeu sua sentença de morte e como o Diabo lhe apareceu oferecendo mais dias para viver, porém perderia algo de valor em troca. Claro que seria fácil escolhermos algo para não existir mais no mundo, mas claro que quem escolheria ser o Diabo e óbvio que acabaria sendo algo importante para o protagonista. De início, achei que a escolha do celular fosse porque o protagonista não saía dele, que tiraria apenas um vício dele, já que parecia que ele era solitário. Mas, depois vem o choque. O Diabo muito astuto, tiraria algo valioso do protagonista para que ele pudesse viver mais um dia. Esse dia acabava sendo cheio de memórias, pois sabendo que perderia tal coisa, ele via o quanto aquilo tinha sido importante na sua vida. Você pensaria, vivíamos bem antes dos celulares. Mas foi através deles que o carteiro conheceu sua ex e viveu uma linda história de amor. Embora não tenham ficado juntos, tiveram ótimas lembranças e momentos juntos.
Assim como os filmes. O carteiro tem uma amizade um tanto que estranha com um cara chamado Tatsuya que trabalha em uma locadora de filmes. Desde que se conheceram ele indica um título por dia ao carteiro e vem uma das frases mais icônicas do filme: "Não haverá um fim para os filmes, por isso nossa amizade continuará por toda a eternidade". Sim, muitos triste quando os filmes desaparecem.
Os dois últimos são mais significativos para o meio familiar. Os relógios representava o pai do carteiro. Era um homem distante sempre focado nos relógios. Mesmo quando sua esposa adoeceu, ele permanecia trabalhando consertando os relógios, o que fez o carteiro não perdoar as atitudes do pai e se afastar dele. Mas é quando o Diabo sugere os gatos para desaparecer do mundo, que o carteiro enfim deseja que isso não aconteça, pois foram os gatos que mantiveram sua família Unida apesar de tudo. E com isso, veio as lembranças de seu pai e de como a seu modo, ele fazia sua mãe feliz.
O filme não é muito falado e encontrei por acaso. Das poucas críticas que vi, sei que sempre vai ter alguém que será do contra e quando não gostar de algo, vai tentar achar várias justificativas para isso. Li alguém comentando que não tinha gostado da história porque achou o protagonista muito egoísta. Porque aceitou apagar todas essas coisas só para ele viver mais um dia. Eu, por outro lado, não vi dessa forma. Eu sabia que no final essas coisas não seriam realmente apagadas do mundo. Eu já tinha entendido que era mais para refletirmos sobre o que havia sido importante em nossas vidas enquanto vivemos. O carteiro estava sozinho naquele momento, mas ele teve um amor, um amigo e sua família na qual valeram a pena viver tudo o que viveu.
Achei que o Diabo ali fosse apenas uma representação do seu medo da morte e com isso, pudesse reavaliar o que viveu e assim aceitar que sua hora havia chegado. Foi uma forma mais interessante de lhe mostrar o valor das coisas do que o que eu havia imaginado. Achei que o Diabo era uma alucinação devido a seu tumor e que ele estava tendo essas visões por conta de seu medo da morte. E assim, alucinou com tudo isso mas percebendo que enquanto vivo, ele teve coisas boas na vida.
A adaptação foi muito boa, embora seja óbvio que sempre haverá algumas mudanças, mesmo que a obra seja fiel ao original. Por exemplo, no livro, é preciso detalhar mais as coisas, para que possamos imaginar o cenário. Confesso que não havia reparado nas vestimentas do Diabo, que se apresentou de forma totalmente oposta ao carteiro. E, no livro, o carteiro chama o Diabo de Aloha, justamente por conta de suas roupas. Foi lendo o livro que reparei mais como realmente o carteiro parecia mais egoísta, ao ter a chance de viver mais dias. No filme, ele parecia se sentir mais culpado por fazer algo desaparecer em troca dele viver mais um dia. No livro, ele deixava claro que sua vida era mais importante. Talvez eu tenha me confundido quando li críticas e li de alguém que falava do livro. Pois aqui sim, podemos ver como o protagonista realmente pensava.
No filme, mesmo na legenda, os nomes dos gatos foram mantidos no original, por isso, quando li Alface e Repolho, morri de rir. Embora em japonês seus nomes realmente significassem isso, em japonês me pareceu bem melhor. Mas acho que nada supera o gato falar no livro. Ainda bem que não teve isso no filme. Aloha já é bizarro o suficiente. Mas, apesar das mudanças, foram sutis, nada que nos deixe revoltados e claro, Takeru representou muito bem esse papel, como sempre. Eu não quis fazer uma resenha separado, porque livro e filme ficaram ótimos, então seria apenas muita repetição. Vale a pena os dois.
Nota pessoal 10/10
















































