Olá Divosos. Hoje trago esse suspense com reviravoltas não tão surpreendentes mas satisfatórias.
A HISTÓRIA
Jules, trabalha em uma linha direta para mulheres que estão indo sozinhas para casa no meio da noite. Era uma noite aparentemente comum quando Jules recebe a ligação de Klara, uma mulher visivelmente perturbada que nem se deu conta que havia ligado para alguém. Aproveitando que foi para um centro de ajuda, ela conta o que lhe aconteceu.
As últimas notícias são sobre um serial killer que a mídia está chamando de O assassino do calendário. Ele deixa uma data marcada para a vítima e a escrita você ou ele. Klara, diz a Julian que é uma dessas vítimas, que acordou um dia em um porão com essa mensagem. Mas seu marido não acreditou nela nem a polícia. Para piorar, ela sofre violência doméstica e seu marido acabou de levá-la à um lugar perturbador onde ela só fugiu. Quando questionada por Julian os motivos de continuar com um homem assim, ela explica várias razões para mulheres como ela continuarem em seus relacionamentos abusivos. Em um ato de desespero, ela tenta o suicídio. Jules conta sua história, tenta ajudá-la, fala sobre sua esposa e filha e tenta manter Klara na linha. Após varias decisões difíceis o confronto final acaba reunindo Jules, Klara e seu marido.
Ano de lançamento 2025
Duração 1h 37m
Direção Adolfo Kolmerer
Elenco Luise Heyer, Sabin Trambea, Friedrich Mücke
Trailer
Minhas divagações
Pelo título, pensei ser um suspense diferente. Não lembro porque coloquei na minha lista. Começamos com Julian trabalhando de casa atendendo ligações de mulheres que estão voltando para casa tarde da noite e para não se sentirem sozinhas, ligam para esse atendimento. Tudo muda quando Jules recebe uma ligação de Klara e para piorar, ela diz ser vítima do famoso serial killer do calendário. Jules tenta ajudá-la da melhor forma possível.
Nesse filme, confesso que ao procurar dados sobre origem, apareceu uma página onde o sujeito simplesmente revelava nas primeiras linhas quem era o assassino, assim, sem aviso de spoiler nem nada. Então, não nego que ficou mais fácil ir juntando as peças enquanto a história se desenrolava. Então a partir daqui pode conter spoiler leve. Ou não.
Jules trabalhava de casa e sua filha dormia no quarto. Eventualmente ele passa a ouvir barulhos estranhos e se mantem vigilante ao mesmo tempo em que seu pai, tentava falar com ele. Aqui, a construção dessa relação com o pai, girava em torno de suspense e ao mesmo tempo foi duvidoso. Não entendi exatamente se o pai dele era uma espécie de policial, mas algumas vezes pareceu bem suspeito. Principalmente por ter encontrado a casa onde Klara estava.
Apesar do suspense ser interessante, achei muitas coisas questionáveis. Porém, você começa a suspeitar do assassino por pequenas provas que vão aparecendo conforme ele fala com Klara. Mas o mais interessante é que embora o tema seja o assassino do calendário, a trama se converte em Klara e os abusos que sofriam do marido. Pela filha ela aceitava tudo. Mas a última experiência em que seu marido a obrigou participar, foi o gatilho para ela pedir ajuda. Via-se que seu marido ela controlador já no jantar, quando é grosseiro com uma amiga de Klara e quando a obriga a comer algo que ela não gosta.
O final não foi tão surpreendente porque eu já sabia quem era o assassino, só me faltava encontrar pistas de como era possível ser essa pessoa. E quando fui juntando as peças, tudo foi fazendo sentido. Mas, apesar de tudo, foi um suspense um pouco fraco. Mas apesar da reviravolta final, o tema foi importante, para mulheres como Klara e há várias razões para mulheres como ela não denunciarem seus maridos. O que o assassino fazia, era dar uma escolha para essas mulheres se livrarem de seus abusadores. O que não entendi foi se ele matava o casal, quando a mulher não conseguia matar o marido. Mas, se o assassino se revelava para pressionar a vítima, se ela viu seu rosto, ele deixaria a mulher livre? No caso de Klara, seu modo de fazer o trabalho sempre foi daquele jeito ou ela foi diferente? No caso, ela e seu marido viram seu rosto, mesmo se ela matasse ele, o que seria dela?
Claramente o assassino era perturbado. Achava que estava fazendo justiça para mulheres que sofriam abusos, mas não sei onde ele achou que matando elas também resolveria algo. Se ele tinha conhecimento dos abusadores, poderia apenas matá-los, ainda dava para deixar a data marcada para a esposa a avisando, mas aí acredito que no fim a esposa seria uma suspeita, mas melhor que acabar sendo morta. A situação de Klara era mais complicada por seu marido ser influente e ela ter histórico de problemas mentais já tendo sido internada. Isso me lembrou A empregada, onde o marido fazia a mesma ameaça de internar a esposa novamente se não fizesse o que ele mandava. Até achei o marido dela suspeito. Mas ele parecia idiota de mais para isso.
O pai de Jules não parecia suspeito mas estranho. Ele queria ajudar o filho procurando Klara por qual motivo? E, o próprio Jules acaba sendo suspeito porém como ele trabalhava de casa, parecia impossível que fosse o perseguidor. Embora algumas coisas Klara possa ter imagino com sua mente perturbada pela pressão do dia. A data que o assassino colocava nas paredes eram datas do dia do casamento das vítimas. Como Klara comemorava o seu, ela só tinha aquela noite para sobreviver.
Após uma luta com o assassino, o casal sobrevive e você não acredita que o marido sai impune. Mas a justiça de Klara é melhor do que a do assassino do calendário. Ela não virá uma assassina, expõe o marido e dá coragem a outras mulheres de fazerem o mesmo. No final do filme, vemos uma mensagem sobre a quantidade de mulheres que sofrem abusos na Alemanha. Aqui no Brasil vemos direto notícias sobre homens que mataram suas companheiras por não aceitarem o filme do relacionamento. Em outros países sempre tem histórias de violência doméstica contra a mulher. É difícil confiar em alguém quando entre quatro paredes não se sabe do que o companheiro é capaz. O que leva um homem a agredir a própria esposa? É incompreensível essas atitudes. Li algumas críticas negativas sobre o filme, mas vindo de homens que me pareceu insensível ao menosprezar a violência doméstica. O filme infelizmente não trabalhou muito bem esse tema, confundindo as situações. Mas dizer que foi ruim por causa dessa trama é ignorar que de fato essas coisas existem.
É um suspense lento no início, frenético e surpreendente no final. Se reparar em Jules desde o início, verá que ele é mais complicado do que as mulheres que ligam para o serviço. E o Vigo coitado, eu achava estranho um homem barbado ser babá da filha da Klara, mas ele era só um garoto. Por isso foi rendido facilmente. Teve momentos que Jules andava pela casa procurando possíveis invasores pois escutava coisas, cheguei a pensar que ele delirava depois de tudo que passou com a esposa. Mas fez sentido quando você vai juntando as peças.
No mais, não é um filme espetacular mas foi interessante.
Nota pessoal 7/10






































