terça-feira, 14 de abril de 2026

[Review/divagações] Apenas Deus perdoa/Only God Forgives no Divagando Sempre

 

Olá Divas e Divos. Hoje trago um trabalho que não conhecia do Ryan Gosling e apesar da trama surreal, foi até interessante. 







A HISTÓRIA 

Julian e Billy, são irmãos que administram um clube de boxe Muay Thai em Bangkok como fachada para o tráfico de drogas. Uma noite, Billy sai em busca de sexo e vai para um bordel onde recusam a lhe dar o que quer, então ele ataca o dono e invade o quarto onde estão as prostitutas e agride uma delas. Ele vai para outro local e acaba matando uma menor de idade. Chang, um tenente da justiça, leva o pai da garota, Choi, para identificar o corpo e permite que este faça o que quiser com Billy, que acaba resultando em sua morte. Depois, Chang pune Choi por ter permitido que sua filha se prostituísse. 

Julian ao descobrir sobre a morte do irmão, vai atrás de Choi que é poupado com vida quando Julian descobre o que realmente aconteceu. Porém, Crystal, mãe de Jullian e Billy, chega a Bangkok e exige que Julian vingue o irmão, que nega fazê-lo ao afirmar que tiveram motivos para matarem o irmão. Crystal então usa os lutadores da academia dos filhos para executar Choi e enquanto Chang investiga a morte de Choi, conclui que Julian é inocente. Crystal então faz um acordo com um traficante rival em troca da morte de Chang. Porém a emboscada dá errado e Chang pega o traficante e eventualmente descobre quem foi o mandante. Crystal pede a ajuda do filho mais uma vez, pois sabe que agora não tem forças contra Chang. 








Ano de lançamento 2013 

Duração 1h 30m

Direção Nicolas Winding Refn

Elenco Ryan Gosling, Kristin Scott Thomas, Vithaya Pansringarm




Minhas divagações 

Esse foi um dos filmes mais estranhos que já vi. O enredo é simples. Dois irmãos traficantes, um deles é morto e a mãe, líder do tráfico, ordena que o filho vingue o irmão. Simples? Não. O visual era muito caótico sendo a cor a vermelha destaque em vários ambientes ou roupas, ou até no exagero do sangue nas vítimas. Fora que Julian parecia que estava o tempo todo drogado ou sendo controlado por algum remédio que limitasse seus gestos. E convenhamos que a mãe era uma vadia e tinha um relacionamento estranho com os filhos. Não ligava pelo fato de Billy ser pedófilo, psicopata e assassino e menosprezava Julian sempre o ofendendo e comparando com o irmão. 

O cenário era muito confuso e por vezes demorei a entender o que estava acontecendo. Eu achava que Chang era um mafioso que dirigia casas de prostituição mas não aceitava prostituir menores, por isso deu uma lição em Choi. O que não fazia sentido pois esses caras só se preocupam com dinheiro. Chang ser um tenente de polícia fazia mais sentido, já que durante seu ataque ele estava reunido com policiais. Confundi o que ele fazia porque não usava uniforme e apenas uma espada. Achei que a polícia fazia parte da sua lista de pagamentos. Mas ele era um justiceiro, embora com métodos extremos. 

Julian parecia perdido e pau mandado da mãe. Mesmo ela lhe humilhando e dizendo coisas terríveis, ele acabava fazendo o que ela queria. Embora no final, tenha desobedecido suas ordens, quando poupou a vida da filha de Chang. O que ficou implícito também foi o relacionamento da mãe com os filhos. Por Julian ser dessa forma, creio que rolou uns abusos ali, tanto físico quanto mental. Já se via a forma como Crystal tratava as pessoas assim que chegou no hotel. Me admira ter esse porte todo mas chegar em Bangkok e não conseguir vingar o filho. Pelo menos a justiça ali foi implacável, uma vez que Crystal queria vingança mas ignorava o que Billy havia feito. O que eu havia entendido era que, na verdade não prestei atenção na sinopse, lendo agora, claramente diz que Julian é um traficante que tem uma mãe dominante que exige vingança e terá que enfrentar um policial que usa métodos extremos para fazer justiça. O que eu entendi foi que, por algum motivo bizarro, o irmão de Julian foi morto e como eram traficantes, um policial ficaria em seu encalço. Por obrigação, Julian procuraria vingar o irmão enquanto era caçado pela polícia.

O que se sucedeu foi completamente diferente. Estou acostumada com doramas chineses de época ou romances fofinhos. Aqui, foi uma visão completamente diferente, por se tratar do submundo do crime. Drogas, prostituição, assassinatos. Já o ambiente foi bem diferente. E sim, isso me chocou bastante. Assim como ver Ryan Gosling em um papel completamente sério, o oposto do que vi dele ultimamente. Só conferi o filme por ter ele no elenco. Não nego que em se tratando de atuação, ele seja excelente. Essa transformação prova seu talento. Porém, em questão de história, além de confuso foi ao mesmo tempo bom.

Confuso pelas cenas em que Julian tinha umas visões que eu não sabia se ele estava delirando, sonhando ou prevendo o futuro. Fiquei até esperando que no final ele acordasse e descobrisse que tinha sonhado enquanto estava preso em um manicômio. A morte do irmão poderia representar realmente esse desejo. A volta da mãe, porque como criminosos que fugiram para Bangkok, ele apesar de tudo, realmente poderia sentir falta da mãe. Mai, seria a encarnação da mulher que poderia ser ideal para ele, mas ou Julian era gay,o que não achei essa parte clara,ou só disfuncional com outras mulheres pelos abusos da mãe. Seria surreal se ele só acordasse e tudo não passasse de um desejo íntimo dele. 

Foi bom também porque nem sempre o que estamos acostumados é perfeito. As vezes é bom sair da zona de conforto. Esse é um daqueles filmes que enquanto assisto minhas reações são diversas, quando termino sinto um vazio estranho e enquanto avalio percebo que de um modo estranho, foi interessante. Após pensar bastante sobre a história, acabei achando bom. Por ser de 2013, não é um trabalho muito conhecido de Gosling. Também não sei se recomendaria pelo tema forte. Mas, a questão da vingança, achei excelente o que aconteceu com Crystal e que aqui, a justiça realmente é feita. Acho que é o arco mais satisfatório de tudo. Embora tenha finalizado com uma cena estranha com Chang cantando em uma espécie de karaoke. 

Mas enfim, apesar de passar a maior parte do tempo horrorizada, foi uma jornada interessante. Não pesquisei muito sobre o filme, porque os que vi, elogiava a obra. Talvez apenas eu tenha sentido certo desconforto, mas não nego que foi uma experiência interessante. 


Nota pessoal 8/10

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