Olá Divosos leitores. Hoje trago esse livro que tinha potencial se tivesse ido por outro caminho.
A HISTÓRIA
A história é contada sob duas versões. A da Syl, que morre em um acidente de carro e da Viola, quem estava dirigindo o carro. Syl e Viola, nasceram no mesmo dia, no mesmo hospital, são vizinhas e cresceram juntas. Mas, enquanto os pais de Syl são frios com ela, a família de Viola é cheia de amor para dar. Conforme crescem, as duas acabam adquirindo personalidades e interesses diferentes. No entanto, cada uma tem responsabilidade direta pelos eventos que terminaram em tragédia.
Syl conta sua versão, onde Viola, aparentemente a usa e a descarta quando conhece Steve. Mas, não satisfeita em apenas trocá-la pelo garoto, Viola ainda brinca com seus sentimentos reatando a amizade para depois desfazê-la, deixando Syl com cara de boba. Mas as coisas pioram quando Syl conhece Lila e esta se torna muito mais que melhor amiga, deixando Viola enciumada. Acontece algo com Lila e no final, Viola bate o carro, abandona Syl fazendo parecer que o acidente foi culpa dela e procura Steve para ajudá-la.
Viola por sua vez, conta como odiava Syl cada vez mais, por ela ser mais como seus pais gostariam que ela fosse. Mas quando Syl se declara para ela, só o que consegue fazer é se afastar e se envolver mais com Steve, mostrando de quem ela realmente gosta. Porém, quando um escândalo envolvendo as duas famílias explode, Viola decide se vingar pela tragédia contra a Syl.
As duas contam suas histórias, mas de quem foi a culpa no final?
Ano de publicação 2025
Páginas 352
Autor/a Sandra J. Paul
Minhas divagações
Já achei o início sem graça quando te manda escolher por quem começar a história. Independente de por quem se começa, não muda os fatos. Mesmo em sua própria versão, Viola era egoísta, insuportável e mal. Não importa o que a Syl tenha feito, nada daquilo teria acontecido se Viola não tivesse iniciado tudo.
Eu achava que a história iria para outro caminho. Não lembro se li a Sinopse direito, mas pelo título, para mim a história era de um acidente de carro onde uma delas morreu no local e no porta malas do carro, havia outro corpo. De onde tirei isso? Não faço ideia. Mas o desenrolar da história foi muito sem graça. Primeiro porque ficou repetitivo alguns acontecimentos. Depois porque em qualquer versão, a Viola era insuportável. Teria sido mais interessante se a revelação final fosse a Viola ter matado Syl e morrido no meio do caminho enquanto tentava fugir. Seu final foi revoltante e ficou parecendo que a Syl era a vilã e mereceu morrer. Depois de tudo o que a Viola fez, ela termina daquele jeito? Inaceitável. Ela teve culpa de duas mortes. Merecia ser punida.
Os pais da Syl poderiam ter sido mais trabalhados. Do nada o pai se envolve em um escândalo e a mãe faz aquilo? Os pais da Viola também. De repente parece que colocaram esse escândalo só para que Viola odiasse ainda mais a Syl. Achei que todos os temas foram mal trabalhados. A mulher que podia ver a Syl depois de morta, até esqueci seu nome, qual sua utilidade se ouviu a história da Syl mas não poderia contar para ninguém, pois quem acreditaria nela? Achei que quando a Syl a procurou, foi para contar algum detalhe importante sobre sua morte. Mas no fim, apesar de trágico, foi tudo apenas consequências de péssimas escolhas.
Como é que duas amigas desde o nascimento acabam dessa forma? Na verdade, achei o relato das duas muito sem graça. A Syl parece uma coitada e a Viola a desmiolada sem controle. Não tem como criar uma conexão com nenhuma das duas. Não tem como ver quem estava certa ou errada. Por tudo o que a Viola fez, sair ilesa dessa história? Para mim foi o que me fez odiar essa leitura. Muito fácil você fazer tudo aquilo para sua suposta melhor amiga e depois continuar sua vida como se nada tivesse acontecido. Achei tudo muito mal elaborado. As duas viveram um inferno por morar em uma cidade pequena e preconceituosa. Os pais que eram adultos e poderiam ter saído da cidade para viver em outro lugar melhor, preferiram ficar nesse lugar e sofrer tudo aquilo? Muito mal explicado. Li com total desgosto.
Quando a Lila apareceu, confesso que imaginei que a história seria sobre Viola ter matado Lila por ciúmes e Syl acaba descobrindo. Sem saber o que fazer, Viola esconde o corpo no porta malas do carro e quando Syl descobre, a mata no "acidente" de carro, fazendo parecer que Syl matou Lila e estava fugindo para esconder o corpo. Teria mais sentido daí o título, Garotas mortas não falam. Achei que seria tipo um suspense policial. Aí a Syl até poderia procurar a garota que vê espíritos e contar sua história para tentar encontrar Viola, mas do jeito que foi, a garota não servia de nada, já que não podia falar sobre a história que ouviu da Syl. Enfim, o que atrapalhou muito a leitura, foi a tentativa de querer fazer dois livros em um. Eu geralmente gosto quando tem duas versões da mesma história, mas nesse ponto, foi muito chato. Não mudou nada o fato de achar a Viola insuportável até mesmo em sua própria versão. E como disse, foi tudo tão superficial, que nem deu para sentir empatia por nenhum personagem dessa história. A estrutura inicial tinha até potencial, mas foi mal trabalhada.
As duas cresceram juntas mas seus pais não mantinham relacionamento familiar unido, acho que se tivesse mostrado mais deles juntos, mais participativos, em férias juntos, ceias de Natal ou algo do tipo quando eram crianças só para mais tarde, na adolescência isso ter mudado, criaria um ambiente mais propício para Syl continuar frequentando a casa da Viola, uma vez que seus pais dessem sinais de não ser mais uma família Unida. Do jeito que foram retratados, não vi onde conseguiram chegar no escândalo que acabou culminando ainda mais no ódio de Viola pela Syl. Mas enfim, foi uma leitura sofrida e cansativa para mim. Não vi sentido nenhum nessa história.
Nota pessoal 4/10

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