Anyong Divas e Divos leitores. Hoje trago leitura muito fofinha sobre o relacionamento entre mãe e filha descendentes de coreanos vivendo nos Estados Unidos, em duas épocas diferentes.
A HISTÓRIA
Sam, uma garota comum dos anos 2025, passa por problemas emocionais quando sua avó fica internada em coma, seu namorado é um egoísta que não sabe lidar com problemas emocionais dela e ainda tem uma briga feia com sua mãe. A caminho da escola e em meio a uma forte chuva, sua mãe simplesmente a manda sair do carro e se virar para ir a escola. Sam se vê obrigada a pedir um carro de aplicativo e durante essa viagem estranha, quando sai do veículo, se vê em 1995 e se depara com sua mãe, uma Priscilla adolescente e totalmente diferente do que sua mãe se tornou no futuro.
Desesperada, ela tenta chamar o carro de volta, mas descobre com a motorista misteriosa, que ela tem uma missão a cumprir no passado se quiser voltar ao seu tempo presente. Cabe a ela agora descobrir como voltar. Ela consegue um lugar para ficar e consegue se matricular na escola, percebendo como é mais fácil nos anos 90. No entanto, ela precisa tomar cuidado com certas coisas, como seu celular e gírias que ainda não tinham nessa época.
Falando em época, Sam descobre que foi parar justamente na semana de preparação da rainha do baile, onde Priscilla foi indica e Sam então, entende que essa é sua missão, fazer sua mãe ganhar, já que aparentemente o motivo da última briga delas no futuro foi o fato de Sam ser indicada e ela não ligar para isso. Coisa que no passado, foi muito importante para sua mãe, mas ela acabou perdendo. Sam então, se empenha em fazer campanha para conquistar os estudantes a favor de Priscilla enquanto luta com sentimentos ao encontrar sua avó acordada e mais jovem. Convivendo com a Priscilla adolescente nos anos 90, ela percebe muitas coisas, como tudo o que sua mãe faz no futuro é reflexo do que ela viveu na adolescência mas de forma contrária, ou seja, fazendo coisas que ela acha melhor e que a filha gostaria, para não ser como sua mãe que não a incentivava como ela esperava. Porém, Sam acaba descobrindo que o racismo e as dificuldades de imigrantes coreanos naquela época, eram bem mais difíceis do que atualmente. Então, ela passa a enxergar a mãe com outros olhos, mas, ela ainda precisa ajudar Priscilla a realizar seu sonho para poder voltar para casa.
Ano de publicação 2023
Páginas 416
Autor/a Maurene Goo
Minhas divagações
Confesso que o que chamou minha atenção para essa leitura foi a estética dos anos 90. Quem viveu a adolescência dessa época, sabe que com certeza foram os melhores anos de nossas vidas. Tecnologia? Internet? Celular? Google? Nada disso existia e ainda assim, vivemos os melhores anos de nossa adolescência. Sam, apesar de achar que sua mãe a pressionava sobre certos assuntos, quando inesperadamente passou a conviver com ela na forma adolescente, jamais imaginou o que ela passou e como tudo a moldou para ser a mãe rígida e exigente que Sam conhece. Ter essa chance de conhecer o passado de sua mãe e acima de tudo, ser amiga dela? Quem não aproveitaria?
Porém, viagem no tempo sempre é um assunto complicado para mim. No entanto, esse até que foi interessante e me lembrou um pouco o filme A casa do lago, com Keanu Reeves e Sandra Bullock. Mas no quesito romântico. Sem mais spoilers.
Sam conhece Jamie, o que a faz oscilar, já que no futuro tem um namorado, embora antes dessa viagem, a última conversa não tenha terminado muito bem. E, convivendo com sua mãe adolescente, ela percebe que o namorado dela é justamente o tipo que ela namora no futuro e passa a questionar se é o cara certo, já que ela odiou o namorado da mãe. O que a faz pensar nos motivos da própria mãe por não aceitar seu namorado. Confuso? Nem tanto, pois Priscilla só namorava o cara para se encaixar, para ser notada, para ser diferente dos outros coreanos da escola, para fugir do clichê, por isso, era odiada pela comunidade coreana, que pensavam que ela agia como branca porque queria ser uma.
De início não estava muito empolgada com a leitura, pois Priscilla era uma mãe muito chata e Sam uma filha meio rebelde mimada? Depois que ela volta para 1995, ainda estava meio desanimador. Tudo o que Sam fazia, parecia promissor mas acabava dando errado para Priscilla. Até Sam conhecer Jamie. Eu tinha muito medo do que esse menino seria para ela no futuro e não conseguia imaginar como ela poderia se apaixonar por ele, sabendo que era do passado. Seu desfecho me pegou de surpresa. Jamais teria imaginado algo do tipo. O que acabou me conquistando mais ainda.
Mexer com o passado, pode ter consequências no futuro, mas gostei de como Sam lidou com sua passagem e se manteve misteriosa. E houve mudanças mas nada tão drásticas e quando Sam volta, também sentimos falta da Priscilla adolescente. Apesar de tudo, entendemos suas batalhas e entendemos porque ficou rígida com Sam. Querendo ou não, Sam cresceu em uma época bem mais fácil e ao contrário de sua mãe, nem precisava trabalhar. Anos 90 realmente foi ao mesmo tempo mágico e um pouco depressivo para mim. O que mais amo dessa época são as músicas. Agora, no quesito ensino médio, quem sofria bullying como eu, justamente por ser oriental, não guarda boas recordações.
No mais, apesar de achar o início meio entendiante, confesso que depois da chegada do Jamie, as coisas melhoraram bastante. Se todos pudessem passar por essa experiência para entender as mães, seria bom, principalmente para quem sofre um relacionamento complicado como Priscilla e Sam. Convenhamos, não é difícil vê-las por aí hoje em dia. Deve existir muitas Priscillas e muitas Sams e já que não podemos pegar um retrotaxi, o negócio é ler o livro e quem sabe podemos entender um pouco como poderia ter sido a vida jovem de nossas mães.
Recomendo a leitura.
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Nota pessoal 10/10











































