Olá Divosos do espaço. Hoje trago essa obra prima com ninguém menos que Ryan Gosling.
A HISTÓRIA
Ryland Grace acorda em uma nave espacial, sem nenhuma lembrança de quem é ou de como chegou lá. Ele descobre mais duas pessoas mas morreram durante a viagem. De alguma forma, aconteceu algo com eles e não sobreviveram. Agora sozinho, precisa descobrir o que está fazendo ali e como voltar. Conforme os dias passam, ele tem flashes de memória e vai conseguindo lembrar algumas coisas. Seu nome é Grace, é professor do ensino fundamental e está em uma missão suicida para salvar a Terra. A última parte não é muito promissora, mas resta para ele lembrar, por que aceitaria tal coisa? Então, ele tem uma enorme surpresa, não está sozinho no espaço.
Grace descobre uma enorme nave próximo à dele e mesmo tentando fugir, a nave continua seguindo-o. Então ele decide esperar e eis que, a nave manda uma mensagem. Assim, nas primeiras comunicações, ele descobre que a nave também está longe de casa e passam a se comunicar até a outra parte construir um túnel por onde Grace vai até a nave alienígena. Ali, ele conhece um ser, que decide chamar de Rock, devido a sua constituição física e os dias seguintes são dedicados a aprenderem a se comunicar. Usando um computador, Grace acaba dando uma voz ao Rock e assim conseguem se comunicar melhor sem Grace precisar ficar toda hora lendo no computador. Acontece que ele está ali pelo mesmo problema de Grace, alguma coisa está apagando o sol e com isso, em alguns anos, seus planetas serão extintos. Grace e Rock trabalham juntos na tentativa de encontrarem soluções para seus planetas e criam um forte laço.
Ano de lançamento 2026
Duração 2h 36m
Direção Phil Lord, Chris Miller
Elenco Ryan Gosling, Sandra Hüller, Lionel Boyce, Ken Leung
Trailer
Minhas divagações (com spoilers)
Sempre questionei as mudanças que existem em adaptações de livros, porque no geral, são mudanças absurdas que não haviam necessidade. Mas, aqui, apesar de Devoradores ser bem fiel ao livro, as mudanças foram muito agradáveis. A minha primeira questão seria como iniciariam o filme e foi excepcionalmente maravilhoso. Começamos com Grace acordando cheio de tubos e com uma voz lhe fazendo perguntas na qual ele não se sente motivado a responder de prontidão. No entanto, no livro isso foi bem mais aprofundado tanto que demorou um pouco para Grace ceder e responder a voz. Assim como ele demorou para lembrar seu próprio nome e quem era, coisa que no livro foi bem mais divertido. Mas, não que no filme não tenha sido, pois, Ryan Gosling ficou perfeito no papel. Não consigo imaginar outro ator que encaixaria melhor do que ele. Ryan foi de um carisma brilhante e mostrou dois lados de um mesmo personagem, um cientista brilhante mas covarde demais para sequer imaginar aceitar uma missão suicida dessas. Mesmo que não tivesse quem deixar para trás, ele não se sentia motivado a partir, por isso admirava os astronautas, que mesmo tendo famílias, aceitaram essa missão. E no fim, sozinho, ele acabou provando que era sim, mais do que capaz de realizar a missão com sucesso e com requintes de heroísmo ainda.
Confesso que imaginava Rock um pouco maior, já que a descrição no livro parecia que ele tinha no mínimo, a altura de Grace, mas, não nego que nesse tamanho no filme ficou bem fofinho. O filme tem de tudo um pouco, suspense, comédia e até reflexão, uma vez que Grace teve muito tempo para refletir sobre quem era, e o que faria no futuro incerto. Conhecer Rock, um ser alienígena, abre muitas portas para Grace. Apesar dessa missão não ser algo que escolheria por vontade própria, ele conheceu o espaço e ainda confirmou a existência de alienígenas. Embora não fosse possível ele contar pessoalmente a Stratt como foi sua missão.
No final do livro, me perguntava qual seria a resolução para a vida de Grace e Rock. Se Rock fosse para a Terra, com certeza seria estudado na área 51. Imaginava que pelo menos um deles morreria, confesso que não imaginei esse final. Uma mudança que achei muito bem vinda foi de mostrar a Stratt, já mais velha, em um navio no meio de águas congeladas, recebendo as sondas que Grace enviou com as amostras que salvariam a Terra, além de suas gravações desde que conheceu Rock, contando suas experiências e a convivência com o alienígena. No livro, Rock apenas menciona que seus cientistas observaram que o sol da Terra estava voltando ao normal, assim, confirmando que receberam suas amostras e conseguiram por em prática a experiência salvando seu planeta.
Li em uma entrevista que fizeram com o autor, perguntando sobre o final de Grace, afinal, ele volta para casa? Pois mesmo acabando dando aulas para os pequenos Eridios, Rock tinha lhe dado a chance de voltar quando diz que os cientistas consertaram sua nave. Mas ali, não sei se foi só eu, mas senti no olhar do Grace os pensamentos tristes de se despedir de Rock (de novo), do medo de ficar anos em coma viajando sozinho e pior, quando voltasse a Terra, qual seria seu destino sendo que nem Stratt ou seus alunos, ou a vida que tinha não existiria mais por conta dos anos de viagem. O autor confessou que não queria contar mais sobre o destino de Grace porque pareceria uma sequência. Eu, prefiro acreditar que ele decidiu ficar em Erida com Rock, uma vez que ele mesmo já estava mais velho de quando saiu da Terra.
Agora falando sobre efeitos técnicos, começando pela trilha sonora, que incrível. O visual então, quando Grace e Rock chegam no planeta que esqueci o nome, para recolher amostrar e descobrir o porquê esse é o único lugar que não é afetado pelos astrofágicos, Grace está em pé na nave com uns pontinhos em vermelho, que torna a cena deslumbrante, difícil descrever, melhor verem com seus próprios olhos. Fora que achei um detalhe magnífico. Quando Grace volta para salvar Rock, ele sai da nave e flutua até o túnel que ficou construído de quando usavam para ir de uma nave para outra. Nesse pequeno tempo, há um silêncio sinistro. Eu havia acabado de ouvir um podcast sobre filmes no espaço onde discutiam essa dinâmica sobre dependendo do filme, ter efeitos sonoros sendo que no espaço não há som. Com satisfação, me lembrei desse detalhe enquanto via essa cena e ao mesmo tempo ficava apreensiva quanto ao destino de Rock, mesmo já sabendo a história, já que havia lido o livro primeiro.
Outro momento tenso, foi quando após "pescarem" as amostras no planeta que ainda não lembro o nome, Grace fica ferido e Rock sai de sua bolha para salvar o amigo. Quando Grace acorda, Rock está inconsciente e passa dias assim. Enquanto isso, Grace faz experimentos com as amostras e conversa com um Rock adormecido enquanto espera ele acordar. De novo, mesmo sabendo o que aconteceria, foi um momento tenso. E apesar do suspense e da comédia, houve cenas em que chorei um pouco, só não chorei horrores porque estava no cinema. Quando Grace se despede de seus companheiros e lança seus corpos no espaço foi muito triste, quando Rock se fere salvando Grace, e quando os dois se despedem cada um levando suas amostras para seus planetas.
Ou seja, foi um filme recheado de emoções e um dos poucos onde a adaptação é tão boa quanto o livro. Eu poderia ficar falando horas sobre a obra, mas recomendo ver para ter essa maravilhosa experiência. Dificilmente um filme de Gosling decepciona e aqui, ele com certeza brilhou. A interação com Carl também foi excepcional. Tornou as pesquisas de Grace melhores e mais animadas. Stratt participando da festa também foi uma mudança interessante. Só acho que faltou um pouquinho mais de trabalhar em Yao e na Ilyukhina, para deixar impressões mais fortes quando Grace teve que deixar seus corpos no espaço.
Vale muito a pena, recomendo.
Nota pessoal 10/10



















































