sábado, 12 de setembro de 2026

No coração do mar (livro e filme) no Divagando Sempre

 Hoje temos outra dobradinha. Livro e filme. Algumas adaptações de livros são bem decepcionantes, principalmente na caracterização dos personagens, eu sempre imagino eles de outra forma. As vezes quando vejo o filme primeiro, já imagino os personagens como do filme, outras vezes não concordo e não consigo vê-los assim e imagino diferente. Vi o filme primeiro porque não sabia da existência do livro e também pelo ator Cillian Murphy.



In the Heart of the Sea ( ano de lançamento 2015) 
Livro escrito por Nathaniel Philbrick
Capa do filme:


Capa do livro:


História principal:

A ilha de Nantucket fervilhava com a atividade baleeira e em 1819, um navio baleeiro chamado Essex, partiu sob o comando do capitão George Pollard Jr. A caça às baleias era importante para a captura de óleo. Pollard estava tendo certas dificuldades no comando por ser capitão pela primeira vez e por ter conseguido o cargo por causa da posição importante de seu pai, por isso se sentia inseguro em suas decisões. Mas contava com o apoio de seu primeiro imediato Owen Chase, que se não fosse por Pollard, seria Capitão do Essex.  Mas em novembro de 1820 o Essex foi atacado por um cachalote enfurecido de 26 metros que afundou o navio, deixando os tripulantes divididos em 3 botes a deriva no mar por 3 meses. Infelizmente só dois dos botes foram resgatados, quase 90 dias depois do naufrágio do Essex. 

No filme Owen Chase foi interpretado por Chris Hemsworth.

Owen queria muito ser capitão em sua próxima viagem, mas seu lugar foi dado ao George Pollard (Benjamin Walker), de família rica, filho do principal investidor da ilha. 


Em se tratando de experiência e respeito, Chase tinha bem mais entre a tripulação. Mas Pollard fazia de tudo para mostrar que seria um bom Capitão. Entre os marinheiros também estavam Mathew Joy, segundo imediato ( meu querido e amado Cillian Murphy ) e o mais novo entre eles Thomas Nickerson ( Tom Holland).


No filme, por ser adaptação do livro, obviamente teve mudanças no enredo. Mas nada que mude a essência da história.

 O sofrimento da sede e a da fome está presente tanto no livro quanto no filme, mas no livro parece que os dias custam mais a passar e você se imagina ali a deriva com eles, sente a sede deles e o sofrimento bem mais vívidos do que no filme, apesar de ver as imagens, o filme parece ser bem mais rápido. Assim como certas decisões que marcariam a vida dos poucos sobreviventes para sempre.

 Tanto o livro quanto o filme foram excepcionais. Experiências diferentes entre ler e ver, mas o mesmo sentimento te pega no final.

Obviamente há muitas perdas e também grandes aprendizados para os sobreviventes. E como Thomas foi o mais jovem deles, foi ele quem relatou os acontecimentos da época para um escritor e assim deu origem a famosa história e lenda de Moby Dick.

Inicialmente Thomas não queria contar sua história, que ficou guardada com ele durante todos esses anos, o consumindo. Alguns eventos traumáticos ele nem havia contado para sua esposa, com medo dela não querer mais nem olhar em seus olhos. Porém, nem ela nem Melville o julgaram. 

Apesar de três botes terem saído do navio, apenas dois foram encontrados. A do Capitão Pollard foi encontrado primeiro e  a de Chase alguns dias depois. Os dois pelo cargo importante, deveriam depor os fatos que levaram ao naufrágio mas nenhum dos homens queriam que seus negócios caíssem por conta da história deles. Embora Pollard tenha acabado falando a verdade, os documentos foram forjados contando outra história. Pollard ainda tentou encontrar a baleia branca mas desistiu quando outro navio seu afundou. Chase ficou com sua família e foi Capitão de seu próprio navio como sempre sonhou. E ele manteve sua promessa enviando resgate aos homens que ficaram na ilha, que sobreviveram, a exceção de Mathew que já estava muito ferido e debilitado. Quem ficou na ilha sabiam da incerteza de um resgate, visto pelos esqueletos de outros náufragos ali e também porque ninguém tinha garantia de que os botes fossem encontrados. De qualquer forma, ir ou ficar, era um risco que corriam. 

Melville escreveu seu livro inspirado na história de Thomas e garantiu à ele que algumas partes não seriam inclusas, o deixando aliviado e tendo a certeza que seria um bom livro. E muito curioso no final Thomas questionando Melville se era verdade que tinham descoberto óleo debaixo da terra. Ele ficou impressionado como era possível todo esse tempo, os homens enfrentando os perigos caçando baleias quando tinham óleo em locais mais seguros. Fora que uma hora as baleias seriam extintas do jeito que as caçavam. 

De todos, foi uma pena o personagem de Cillian ter terminado daquela forma. Mas, em relação ao filme, foi uma ótima produção. O primo de Pollard era meio insuportável e preferiu tirar a vida para poupar Pollard. Nessas histórias sempre tem um insuportável puxa saco para a gente odiar. Por mais que Pollard tenha feito a coisa certa no final, será que se Chase tivesse sido o capitão, teriam tido esse destino de qualquer forma? 

Quando vi o filme a primeira vez, não tinha entendido muito bem quem era Thomas e Melville. Não tinha entendido que Melville escreveria Moby Dick baseado nessa experiência de Thomas. Confesso que li Moby Dick uma vez pela metade ainda, então não tenho ideia de como era a história, já que faz um tempo também.  Sempre pensei que Moby Dick fosse uma história inspirada na própria experiência de Melville em alguma viagem de navio. O que seria estranho para um escritor ser um caçador de baleias também. Geralmente escritores não se arriscam em aventuras desse porte. 

Ver o Thor, Homem Aranha e o gângster Thomas Shelby no mesmo filme é maravilhoso... e o relacionamento de Chase com o jovem Thomas foi tocante. Desde a primeira viagem onde Chase percebeu o mau estar de Thomas, embora tenha pregado uma peça nele, geralmente ele era cuidadoso com o jovem. Uma pena cada um ter seguido seus caminhos, mas acho que ninguém ficou tão traumatizado quanto Thomas, talvez porque ainda era muito jovem. Mas o que fizeram pela sobrevivência, o marcou para sempre. 

 Minha nota de satisfação pessoal  para o livro e filme 10/10.

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