Olá Divosos leitores. Hoje trago mais uma obra de Dustin Thao. Dessa vez, Eric sofrendo o luto, passa a ver Haru, um garoto que conheceu em uma viagem ao Japão.
A HISTÓRIA
Eric Ly está se preparando para a mudança de sua irmã mais velha para a faculdade enquanto tenta se aproximar mais de seu amigo Daniel, por quem sente algo mais que amizade. Após uma noite Daniel beijar Eric, este acredita que seu amigo talvez sinta o mesmo que ele.
Durante uma viagem escolar para Tóquio, Eric se encontra perdido e acaba conhecendo Haru, que lhe mostra algumas partes da cidade mas como Eric havia combinado de se encontrar com Daniel, precisa voltar no horário marcado. Haru tenta lhe passar um papel com seu contato mas ele se perde com o vento. Partindo no trem vendo Haru ficar para trás, Eric se pergunta o que teria acontecido se tivesse decidido ficar.
As coisas entre Eric e Daniel saem do controle, quando o amigo sem ter falado nada lhe apresenta seu novo namorado em uma festa. Arrasado, acaba se afastando de Daniel. Mas o amigo tenta se reconciliar e o convida para o baile da escola mas nunca aparece. Após a morte do amigo, Eric depois de um ano, sem faculdade ou trabalho, decide voltar a seguir em frente. Sua irmã, vem lhe visitar de surpresa para lhe contar que trancou a faculdade e vai seguir em turnê com sua banda para outras cidades ficando fora por meses. Devastado, ele recebe uma visita inesperada. Haru o encontrou e passam vários momentos juntos. Mas Eric fica confuso quando Haru desaparece de repente e aparece em momentos aleatórios. Apesar de conseguir tocar fisicamente Haru, Eric desconfia que só ele vê o amigo. Em meio a tantos acontecimentos em sua vida, a presença de Haru lhe conforta, embora lhe cause alguns problemas. No fim, Eric tem que aceitar sua realidade e viver sua vida real mesmo que tenha perdido pessoas que ama.
Ano de publicação 2024
Páginas 272
Autor/a Dustin Thao
Minhas divagações
O primeiro livro que li de Dustin foi Você ligou para o Sam. E confesso que a temática é a mesma. O protagonista perde alguém e de alguma forma vive um luto diferente. No caso do primeiro livro, Julie, a protagonista, perde o namorado Sam. Com pouco mais de um mês, ainda não sabendo lidar com sua ausência, ela acaba ligando para o celular dele só para ouvir sua voz no correio eletrônico. Mas, ele acaba atendendo. Infelizmente Julie foi uma personagem insuportável para mim. Dustin tem esse poder de transformar os protagonistas vivendo momentos intensos em extremamente chatos. Em Quando Haru estava aqui, conhecemos Eric, que de início, parecia maravilhoso. Amo histórias gays, quando Eric conhece Haru e vive aquelas poucas horas com ele, foi encantador. Mas depois que passou a vê-lo, cada decisão que teve, foi infantil. Ainda mais que tinha Haru com ele. Eu entendo o fato de Eric ter consciência de que Haru era coisa da cabeça dele, mas não entendi essa mente dele de amar Daniel, ter interesse em Haru e acabar ficando com Christian, que claramente era um cara aproveitador. Sei que Daniel não estava mais ali, que Haru era coisa da mente dele e Christian estava presente, mas gente, que menino indeciso.
E, o modo de escrita de Dustin é bom, mas esse negócio de fazer capítulos misturados como tantas horas antes, tantos anos depois, eu, particularmente acho muito confuso. Não curto muito quando é assim. E mesmo com o plot da irmã, achei muito confuso. Então, cuidado que aqui pode ter SPOILER. No início a irmã está se mudando para a faculdade e Eric espera Daniel chegar. Então, aqui a irmã na verdade está indo para outro lugar? Eric já perdeu Daniel? Mas não parecia, a não ser, que, seja como Haru, essa parte tenha sido coisa da cabeça dele. Como achei que estava ficando confuso, tentei prestar mais atenção nos títulos dos capítulos. Mas terminei confusa do mesmo jeito.
Li uma resenha falando que amou o Eric e que chorou horrores com o livro. Não chorei horrores, mas o plot da irmã foi bem intenso. Lá pela metade comecei a desconfiar. E diferente de algumas histórias, os pais do Eric não são tão presentes, então não dava para deduzir sobre a irmã baseado neles. Mas quando ela encontra Eric e somente ele para lhe contar que está partindo em uma viagem com sua banda, a estranheza começa aí. Mas tirando as partes confusas, faz todo o sentido ele ser meio desorientado da vida. Como disse em Você ligou para o Sam, cada pessoa vive o luto de modo diferente e os personagens de Dustin tendem a de alguma forma, continuar mantendo contato com quem perdeu.
Eric foi chatinho pelas escolhas que fez e mesmo que possamos compreender seus motivos, pois afinal quem nunca errou quando se trata de amor? Mas, quando ele conheceu Haru, essa viagem foi muito estranha. E Daniel foi muito sacana beijando Eric o deixando com esperanças e o fazendo perder alguém como Haru, porque achava que tinha chances com o amigo. Eric foi perfeito com Haru. Mas não tinha nada a ver com Daniel. A passagem de Daniel na verdade foi bem sem graça. As coisas que ele fez pelo Eric foi tão esquecível, que não achei ele marcante a ponto de entender o luto de Eric. Para mim, a perda de Haru foi mais impactante, pois os dois tinham química, e não tem como não se apaixonar por ele. Perder qualquer forma de contato com ele foi arrasador.
E quando Eric começa a trabalhar e conhece aqueles colegas de trabalho? Achei tudo isso muito desnecessário. O tipo de amizade improvável que surge mas esses dois eram muito insuportáveis. Resumindo, foi o romance gay mais chato que já li. O romance acontece com alguém que só Eric vê, proporcionando momentos ruins porque a gente sabe que o garoto não está ali na verdade e o final foi o mais sem graça possível. Já não curto muito quando o casal tem um período separado, aqui então, só tivemos aqueles momentos iniciais, o resto. Inicialmente achei que seria mais um Você ligou para o Sam. Mas quando comecei a ler e o garoto que Eric gostava era Daniel, fiquei sem entender. Quando Haru aparece suspirei mas aí descobrimos que quem morre é Daniel. Gente, eu queria muito, muito um romance de verdade aqui. Daniel pura decepção. Christian, um salafrário imperdoável. Certeza que se ele fosse hetero teria violentado Eric versão feminina. E, Haru, nem conta como par romântico. Infelizmente só desilusão nesse livro.
Confesso que a parte mais chocante com certeza é sobre a irmã. De resto, nada tão memorável. Embora o foco claro fosse no luto de Eric, não senti empatia por ele. A pior decisão foi ter ficado com Christian. Se não fosse isso, talvez teria gostado um pouco mais dele. E por Haru aparecer mais como uma visão de Eric, não foi trabalhado direito. Só sabemos o que ele disse no primeiro dia que conheceu Eric. De resto, seria mais como Eric o via ou achava que ele seria. Não nego ser interessante esse modo de Dustin tratar o luto de cada personagem seu. Mas mudaria algumas coisas para ficar melhor, pelo menos para mim. Mas foi uma boa leitura.
Nota pessoal 7/10
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