quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Imperdoável - Divagando Sempre

 Imperdoável ( ano de lançamento 2021)

Dirigido por Nora Fingscheidt

Duração de 1h 52m


Ruth ( Sandra Bulock) foi presa por assassinato e após 20 anos ela é libertada por bom comportamento. Sua volta à sociedade já se mostra difícil onde sua nova moradia é um quarto que dividirá com mais 3 mulheres. ( para mim ainda parecia uma cela de prisão...), terá um trabalho e a visita de um agente da condicional uma vez por semana. 


Seu assistente de condicional a alerta para ter cuidado e não se expor, pois uma vez assassina de policial será sempre assassina de policial. Parece um aviso agressivo, mas ele conhece a vida lá fora, conhece as pessoas e já viu muitas coisas. 


Mas Ruth acaba descobrindo isso da pior forma, quando confessa a um colega de trabalho interessado nela (John Bernthal), que havia acabado de sair da prisão por assassinato de um policial. Ele, chocado acaba conversando com alguém do trabalho e a notícia se espalha e Ruth acaba sendo agredida.


 


Além desses problemas, ela ainda precisava encontrar sua irmã, que foi adotada depois que ela foi presa mas que nunca respondeu suas cartas. E, ela nem imaginava ainda que os filhos do policial assassinado sentiam tanto rancor dela, principalmente agora que ela foi libertada, que estavam atrás dela querendo vingança. 



Minhas divagações 

Bom, difícil escolher um lado, principalmente porque geralmente vemos os assassinos como pessoas cruéis e realmente queremos distância.

 Existe esse lado nosso de nos proteger quando são ex presidiários.  Jamais vamos atrás da história por trás do crime e sempre fica aquele medo se vão cometer o mesmo ato novamente. No entanto, existem criminosos que só pela aparência já nos faz sentir medo. 

 No caso do filme, acompanhamos a volta de Ruth a sociedade e sua triste busca pela sua irmã. E a vingança dos filhos do policial impedindo que seguissem em frente. Eu entendo os filhos quererem vingança, mas se eles matassem Ruth, também não seriam assassinos? Pelo pai ser policial, seria isso que iria querer dos filhos? Fora que, não sei se o pai fez falta na vida desses dois, mas nenhum deles levou uma vida digna. Pode ser que ao perder o pai, a mãe teve dificuldade para criar dois filhos sozinha e sendo assim, eles cresceram revoltados sabendo que a culpa seria de Ruth. Mas os irmãos não mereciam a vida sem o pai, mas também não quer dizer que poderiam se vingar. Fora que um deles tinha mulher e filho e a esposa o traía com o irmão?  Que família é essa minha gente? 

Até a primeira parte temos aqueles momentos de lentidão onde acompanhamos Ruth em sua vida em liberdade com flashes do que aconteceu no passado. Aqui, tiro meu chapéu para Sandra Bullock. Muitos podem criticar sua atuação, mas eu amei. Muito diferente das comédias românticas. Li algumas crítica dizendo que ela não tinha expressão. Minha gente, ela acabou de sair da prisão, para um mundo completamente hostil ainda mais contra ex-presidiários, foi morar em um local tão horrível quanto a prisão e queriam vê-la sorrindo? 

Esse sistema de acolhimento de ex-presidiários chega a ser interessante. Me lembrou do filme Um sonho de liberdade, onde os ex-presidiários quando saíam da prisão, principalmente aqueles que ficaram décadas ali e não possuem lugar para ficarem, após saírem são colocados em apartamentos (precários porém tem um teto sob suas cabeças) e um trabalho. Sendo homem você ainda consegue se virar, mas sendo mulher...

Jon Bernthal sempre nesses papéis onde se não é mulherengo é delator ou assassino. Ficou chocado quando Ruth confessou ser ex-presidiária e foi fofocar para outra pessoa. O que ele achou que aconteceria com ela? Só que, claro, estamos vendo pelo lado dela, então normal tomarmos partido dela. Se não soubéssemos o que realmente aconteceu, seria menos chocante? Seria como a reação da personagem de Viola Davis? Quando soube de seu crime a discriminou, mas depois de entender a verdade sentiu empatia. 

E os pais adotivos da irmã de Ruth? Entendo que ninguém mais soube da verdade a não ser a Ruth e por ser muito pequena, a irmã ter bloqueado suas memórias pelo trauma vivido foi compreensível. Mas aquele final, deixou para nossa interpretação e termina assim, daquela forma. Mas e aí?  O que vem depois? Ruth terá paz? Conseguiu o que queria? Mas enfim. Quando a irmã sofreu o acidente, cheguei até a pensar em um final alternativo, onde a irmã morria no acidente de carro. Uma vida perdida pela outra. Não seria justo e Ruth não teria motivos para continuar. Seria muito drama. No entanto, acho que depois de tudo Ruth merecia um encerramento melhor, com mais contexto. Afinal, passou o filme todo atrás da irmã para terminar assim? Mas foi interessante. 

Achei a irmã adotiva de Kathrine muito corajosa por encontrar as cartas que os pais esconderam e ainda se encontrar com Ruth. O que por outro lado foi um perigo pois um dos filhos do policial que seguia Ruth, decidiu sequestrar a menina achando que era a irmã para atrair Ruth em uma armadilha. Acho que aqui fica muitas reflexões das atitudes de todos. Principalmente dos policiais que já foram prendendo Ruth. Pelo menos os filhos tiveram seu encerramento, já que viram que vingança seria um ciclo maligno sem fim. No quesito dos pais adotivos de Kathrine, entendo a proteção deles em relação a Ruth e é até bonito que queiram proteger a menina sabendo de seu passado com a irmã. Claro que para todos os envolvidos, Ruth é só uma assassina de policial. Ninguém sabe o motivo dela ter matado o policial ou só o que importa é o que viram e o que disseram as testemunhas. Proteger Kath dos traumas era fundamental e apesar do casal ter ignorado as cartas de Ruth, pelo menos trataram bem sua irmã. 

Mas como eu disse, o filme todo foi tenso, com medo de Ruth cometer um deslize e ser presa, com os dois filhos do policial assassinado na cola dela, com o agente da condicional hora dando conselhos bons hora metendo medo nela, com a irmã ali perto e tão distante ao mesmo tempo. Só queria que tivesse mais contexto nesse final, para que pudéssemos suspirar aliviadas, pois acho que Ruth merecia. 


Minha nota de satisfação pessoal 9/10.

E Sandra Bulock arrasando como sempre. 

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